TIRO NO PÉ DO ESPÍRITO SANTO
Segundo noticia o Diário de Notícias, na sua edição de hoje, foi uma denuncia do próprio Banco Espírito Santo (BES) que permitiu ao Ministério Público investigar o financiamento ilegal do CDS/PP de mais de um milhão de euros por empresas do próprio grupo do BES. Na semana passada a Judiciária recolheu na sede do CDS/PP dados contabilísticos sobre as contas do partido entre finais de 2004 e inícios de 2005.
Foi através do banco que o Ministério Público tomou conhecimento dos 115 depósitos de mais de um milhão de euros em numerário efectuados por Abel Pinheiro numa conta do CDS/PP nos últimos dias de Dezembro de 2004. Uma denúncia que acabou por comprometer empresas e gestores do sector não financeiro do universo Espírito Santo que seriam, em Maio de 2005, indiciados por crimes de tráfico de influências.
A informação prestada pelo BES, ao abrigo da Lei 11/2004 que obriga as entidades bancárias a comunicarem operações suspeitas, permitiu aos investigadores seguir todos os passos de Abel Pinheiro, constituído arguido no processo, e relacioná-las, segundo o Diário de Notícias, com as últimas decisões tomadas pelo governo liderado por Pedro Santana Lopes, após o então Presidente da República, Jorge Sampaio, ter dissolvido a Assembleia da República, em Dezembro de 2004.
De acordo com informações recolhidas pelo DN, além da aprovação de um empreendimento turístico da empresa Portucale, na Herdade da Vargem Fresca, em Benavente, foram ainda recolhidos indícios da eventual prática de crimes em relação ao acordo entre o Estado e o consórcio AENOR, que previa o reequilíbrio financeiro do consórcio que explora as Scut, em que o BES tem uma participação. Outro caso diz respeito a um empreendimento turístico da ESAF, empresa do grupo Espírito Santo, em Vila Nova de Gaia. Em causa estava um projecto imobiliário localizado na chamada Quinta Marques Gomes.
Ao fim de mais de um ano em investigação, o inquérito tem como arguidos o ex-dirigente do CDS/PP, Abel Pinheiro, e três gestores do GES, Luís Horta e Costa, Carlos Calvário e José Manuel Sousa. Na passada semana, elementos da Polícia Judiciária recolheram na sede do CDS/PP dados contabilísticos sobre as contas do partido entre finais de 2004 e inícios de 2005.