Cerca de 50% dos idosos portugueses, mesmo não sofrendo de doenças crónicas e terminais, admite a legalização da eutanásia. Esta é a conclusão de um estudo realizado ao longo de um ano pela pelo Serviço de Biomédica e Ética Médica da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto e que envolveu 815 idosos. Um estudo anterior já tinha revelado que 40% dos médicos oncologistas portugueses estavam disponíveis para a prática da morte assistida.
Rui Nunes, director do serviço de Bioética da Faculdade de Medicina do Porto e presidente da Associação Portuguesa de Bioética, esclareceu que no estudo agora concluído foram exluídas as pessoas com doenças graves ou crónicas para não "enviesar os resultados".
A população seleccionada foi de 815 idosos, institucionalizados em lares e residências de terceira idade em todo o território nacional. Rui Nunes explicou também que o estudo revelou disparidades regionais: no Centro e no Sul a ideia da legalização da eutanásia encontrou maior receptividade do que nas Ilhas, no Norte e no interior do país, "possivelmente devido à influência da Igreja Católica". O especialista declarou ao jornal Público que o projecto agora realizado vai ter continuidade: "É preciso ter dados credíveis para definitivamente esta questão ser discutida em Portugal".
Os resultados detalhados do projecto serão divulgados terça-feira na Casa do Médico, no Porto. Três dias depois, o Congresso Nacional de Bioética também debate a eutanásia, na aula magna da Faculdade de Medicina do Porto