Num encontro com protagonistas do sector do leite, em Braga, o líder parlamentar do Bloco de Esquerda, José Manuel Pureza, considerou que a resolução da crise do leite não é um problema técnico mas sim político e que implicava escolhas. Entre essas escolhas, pelas quais o Bloco se irá bater, está a criação de apoios de emergência, que atenuem a dramática situação financeira em que se encontram muitos produtores.
O deputado do Bloco de Esquerda, Pedro Soares, prometeu lutar pela dignificação da actividade agrícola e considerou que encara o novo desafio - de presidir à Comissão Parlamentar de Agricultura e Pescas - com humildade e determinação. "Não somos daqueles que calçam botas para aparecerem na televisão no meio do campo, mas depois escolhem outras comissões, como Negócios Estrangeiros", disse, numa alusão ao CDS/PP.
O deputado bloquista falava no final da iniciativa "Parlamento Aberto", dedicada à crise do leite, que reuniu sábado, em Braga, cerca de três dezenas de especialistas, técnicos, dirigentes associativos e produtores e cnontou também com a presença do líder parlamentar do Bloco, José Manuel Pureza,e da eurodeputada Marisa Matias.
Entre os muitos protagonistas do sector que quiseram marcar presença contaram-se, entre outros, António Bica, ex-secretário de estado da Agricultura, Paulo Eça, técnico do Instituto de Desenvolvimento Agrário do Norte, Ana Gonçalves, dirigente da Confederação Nacional da Agricultura, Fernando Cardoso, dirigente da Federação Nacional das Cooperativas de Produtores de Leite, Pedro Pimentel, presidente da Associação Nacional dos Industriais de Laticínios, Fernando Mendonça, presidente da Agros e da Confagri, Idílio Neto, técnico da Direcção Regional de Agricultura do Centro, e José Pedro Araújo, da Escola Superior Agrária de Viana do Castelo.
No final do encontro, José Manuel Pureza considerou que a resolução da crise do leite não é um problema técnico mas sim político e que implicava escolhas. Entre essas escolhas, pelas quais o Bloco se ira bater, está a criação de apoios de emergência, que atenuem a dramática situação financeira em que se encontram muitos produtores.
"Se existe um risco sistémico no sector do leite, esse risco tem de ser tratado com a mesma importância que outros riscos. Não há riscos sistémicos de primeira e riscos de segunda", afirmou Pureza, numa alusão às palavras dos governantes socialistas que, justificaram os chorudos apoios ao sector bancário, com o argumento de que haveria um risco sistémico para a economia.
O líder parlamentar do Bloco voltou a usar da ironia para defender que "se alguns acham que é possível conciliar a protecção ambiental com a construção de campos de golfe, será certamente possível conciliar a produção de leite com a protecção ambiental", uma questão que também foi muito focada no debate.
José Manuel Pureza prometeu todo o empanhamento do Bloco de Esquerda, quer no Parlamento português quer no Parlamento Europeu para travar esta e outras lutas no domínio da agricultura, onde o partido quer reforçar a sua intervenção.