O plano para reforçar a vigilância no Mediterrâneo foi aprovado pelos governos da UE na sequência da vaga de mortes de migrantes nos primeiros meses do ano.
Os documentos agora revelados pela Wikileaks tratam também da componente militar desta operação e da eventualidade de uma intervenção em terra, atacando alvos do Estado Islâmico ou outros grupos "hostis" em território líbio. O governo reconhecido internacionalmente, com influência em Tobruk e Al-Bayda, já veio dizer que se opõe a qualquer ação da UE nas suas águas territoriais ou em terra.
A operação naval EUNAVFOR já mereceu críticas da Human Rights Watch. Num comunicado divulgado na semana passada, esta ONG defende que "a ação militar pode expor a sérios riscos os migrantes e candidatos a asilo". Por outro lado, denuncia o perigo desta operação poder encurralar os migrantes e candidatos a asilo em solo líbio, onde frequentemente são sujeitos a violência e abusos.
A Human Rights Watch alerta que os navios da UE que participarem nesta operação naval "estão sujeitos à jurisdição da Convenção Europeia dos Direitos Humanos, que requer a elaboração, planeamento e implementação de todas as operações com respeito pelos direitos, incluindo o direito à vida, liberdade e segurança, a um recurso efetivo e à proibição de tortura", o que inclui a proibição de enviar alguém para um país em que arrisque ser torturado ou exposto a tratamento desumano e cruel.