Os resultados das eleições legislativas no Senegal, anunciados na passada terça-feira, confirmaram a vitória esmagadora do Pastef, o partido do primeiro-ministro Ousmane Sonko e do presidente Bassirou Diomaye Faye.
O Pastef conquistou 80% dos lugares, ou 132 deputados dos 165 da Assembleia Nacional. Uma maioria esmagadora que deverá permitir ao partido pôr em marcha as primeiras grandes reformas do programa de “rutura” que levou Faye à presidência, há oito meses.
Cerca de 7,3 milhões de eleitores estiveram aptos a votar no dia 17 de novembro. O resultado é a expressão de que o Pastef se consolidou como a principal força política do país. De acordo com os resultados divulgados pelos órgãos eleitorais, o partido ficou em primeiro lugar em 47 dos 54 colégios eleitorais.
Os dois principais líderes da oposição, o presidente da Câmara de Dakar, Barthélémy Dias e Amadou Ba, ex-primeiro-ministro, felicitaram o partido no poder. Apenas a coligação Takku Wallu Senegal, do ex-presidente Macky Sall, que conquistou 16 lugares, denunciou uma suposta “fraude massiva organizada pelo Pastef” num comunicado à imprensa.
De acordo com os líderes do campo progressista do país, o resultado representa uma vitória contra o neocolonialismo e uma fase importante no caminho de uma “libertação nacional”.
“Estamos muito satisfeitos com o resultado. Nós, o povo senegalês, queríamos uma rutura, queríamos mudar de governança, para, enfim, estar no caminho da soberania nacional. É uma vitória contra as estruturas neocoloniais”, celebra Khady N’diaye, integrante da Organização dos Povos da África Ocidental (OPAO).
Para o jornalisfa Diagne Fode Roland, do jornal comunista Ferland, o não pagamento de impostos por parte de empresas multinacionais, a corrupção, e a venda de recursos naturais do país são consequências de anos de políticas neoliberais, herança construída desde a independência do Senegal em 1960.
“Todos os setores económicos estratégicos estão nas mãos de multinacionais. A água está com as multinacionais. As telecomunicações são inteiramente da empresa francesa Orange”, aponta Roland.
Segundo o jornalista, o resultado do pleito representa uma grande vitória para o campo que luta pela soberania nacional no país da África do Oeste. Este grupo, segundo ele, foi constituído a partir de 2014 com o protagonismo e a rebelião da juventude senegalesa contra o neoliberalismo e a influência do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial nos rumos do país.
“A consequência desta ditadura neoliberal foi dramática no nosso país. A mais visível neste nosso tempo é essa migração forcada forçada que transformou o Atlântico e o Mediterrâneo num vasto cemitério dos nossos jovens. Esta imigração lembra-nos como era dolorosa a época do tráfico de escravos na África onde nossos ancestrais eram capturados e levados para os Estados Unidos”, finaliza.
Publicado originalmente no Brasil de Fato. Editado para português de Portugal pelo Esquerda.net.