Vitória para as trabalhadoras da H&M depois de 240 dias de greve

02 de agosto 2023 - 13:46

Treze trabalhadoras da multinacional têxtil em Iruña obtiveram um aumento salarial de 24,7%, depois de terem lutado desde 9 de dezembro. Por Raúl Novoa González/El Salto Diário.

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Trabalhadoras da H&M de Iruña em frente ao sindicato.
Trabalhadoras da H&M de Iruña em frente ao sindicato.

As lutas laborais dão frutos. O acordo coletivo da H&M em Iruña não era atualizado desde 2009. Agora, após 240 dias de greve por tempo indeterminado, treze assistentes de loja da H&M conseguiram o aumento salarial de 24,7% que exigiam, de acordo com o aumento do Índice de Preços ao Consumidor nos últimos anos.

Tratando-se de um trabalho que, como definem as trabalhadoras, é “precário e temporário”, conseguiram também a consolidação e o aumento do número de horas de trabalho do pessoal, já que muitas delas só tinham trabalho a tempo parcial. O aumento através do acorda com a empresa será efetivo a partir já deste mês.

“Não iríamos render-nos. No final, as greves e mobilizações quase diárias deram frutos”, defende Amaia Aritsu, delegada sindical da ELA na H&M. Esta representante das trabalhadoras lamenta o atraso da empresa têxtil no início das negociações: “até terem passado 200 dias de greve, não houve qualquer proposta séria”.

O que considera “muito positivo” é terem conseguido o aumento salarial, que representa a recuperação de 100% do poder de compra desde 2009. “Recebíamos cerca de 1.000 euros para os trabalhadores a tempo inteiro e 500 euros para os trabalhadores a tempo parcial. É um aumento significativo”. “A H&M teve 830 milhões de euros de lucros em 2022 e distribuiu mais 20 milhões de euros em dividendos", recorda Aritsu ao El Salto.

Num setor feminizado e precarizado como o do comércio, sem mais delegados sindicais, consideram “vitais” as caixas de resistência do sindicato basco ELA. As trabalhadoras do centro comercial La Morea estavam em greve por tempo indeterminado desde 9 de dezembro de 2022. Algumas das suas manifestações mais proeminentes tiveram lugar no centro da cidade e chegaram mesmo a fazer uma versão da sessão #53 de Shakira com Bizarrap para exigir melhores condições de trabalho.

O acordo estatal em negociação

O sindicato sublinha a importância deste acordo, não só pelo que foi conseguido, mas também pelo contexto em que foi alcançado. No dia 17 de julho, houve uma mesa de negociações para o primeiro acordo nacional de comércio têxtil, promovido principalmente por cadeias como a H&M e a Inditex.

Ao nível do Estado Espanhol, a H&M compromete-se aumentar 1.000 euros por ano, em comparação com os mais de 4.000 euros que as assistentes de loja de Navarra conseguiram. Por esta razão, o sindicato ELA assegura que o acordo estatal coloca em risco as condições alcançadas pelas trabalhadoras navarras e exige que Navarra seja excluída deste acordo e que sejam elas a negociar com as entidades patronais.


Texto publicado originalmente no El Salto.