Vítor Gaspar elogia conselhos que o FMI lhe dava no Governo

11 de junho 2014 - 0:22

Na sua entrevista de apresentação pública ao site do FMI, o ex-ministro das Finanças destaca a “altíssima qualidade” dos conselhos que o FMI lhe dava enquanto ministro das Finanças português. Sobre os “desvios” nas previsões dos efeitos da austeridade, nem uma palavra.

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Depois de executar o memorando de austeridade da troika em Portugal, Vítor Gaspar assume um alto cargo no FMI.

A entrevista a Vítor Gaspar surgiu no site do FMI no dia da tomada de posse no novo emprego. Gaspar foi nomeado responsável pelo departamento de assuntos fiscais do Fundo Monetário Internacional, após uma passagem pelo governo português para executar o memorando do FMI, Banco Central Europeu (BCE) e Comissão Europeia. Dessa passagem, Gaspar recorda apenas os contactos que manteve com o departamento que agora vai liderar no FMI e também com o Departamento Europeu, que deu “assistência técnica” sobre administração fiscal, despesa pública e gestão financeira.

“O aconselhamento que tivemos foi de altíssima qualidade”, diz Gaspar em louvor dos seus novos colegas do FMI, garantindo que “os resultados foram logo visíveis na nossa capacidade de melhorar a coleta de impostos e controlar a despesa”. Sobre os erros assumidos pelo próprio FMI quanto ao seu cálculo dos efeitos da austeridade ou o falhanço das políticas que Gaspar reconheceu na carta de demissão do Governo, falhando os limites originais do memorando para o défice e a dívida em 2012 e 2013, nem uma palavra nesta entrevista.

Uma preocupação fiscal a menos para o ex-ministro das Finanças é o salário que o FMI irá transferir a partir de agora para a sua conta bancária: os 23 mil euros mensais são isentos de impostos.

No resumo que faz da sua carreira académica e profissional, Vítor Gaspar destaca o seu contributo para a história da política monetária europeia, desde que foi chamado a representar Portugal nas negociações da Conferência Intergovernamental  que conduziu ao Tratado de Maastricht, logo após ter afastado “uma oferta muito tentadora” para entrar nos quadros do FMI. As duas décadas passadas no Banco de Portugal são referidas brevemente na entrevista, antes de passar ao que chama o “cargo mais gratificante” da sua carreira: diretor do departamento de investigação do Banco Central Europeu. “Estive profundamente envolvido na elaboração e revisão da política monetária europeia”, orgulha-se Gaspar.

Questionado sobre as suas prioridades no novo cargo de responsável pelo Departamento de Assuntos Fiscais do FMI, Gaspar foi cauteloso na resposta: “Estou agora a começar. Terei uma resposta melhor daqui a uns meses”. Uma preocupação fiscal a menos para o ex-ministro das Finanças é o salário que o FMI irá transferir a partir de agora para a sua conta bancária: os 23 mil euros mensais são isentos de impostos.