Violência no namoro: PSP recebeu mais de cinco queixas por dia em 2022

14 de fevereiro 2023 - 15:46

As queixas por violência no namoro aumentaram 10% nos últimos cinco anos. Estudo da UMAR diz que o controlo e a violência psicológica são os comportamentos mais reportados por adolescentes e jovens.

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Foto de Paulete Matos.

Num estudo apresentado esta terça-feira no Porto a partir de uma amostra de quase seis mil jovens com idade média de 15 anos, a União das Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR) fez 15 perguntas relacionadas com seis categorias de forma de violência - controlo, violência psicológica, perseguição, violência através das redes sociais, violência sexual, violência física – e 65,2% (3.943) indicaram já ter sofrido pelo menos um destes indicadores de vitimação.

De acordo com a agência Lusa, as responsáveis pelo trabalho, Maria José Magalhães, Margarida Pacheco e Cátia Pontedeira, referiram que 41,5% (1.777) dos jovens admitiu ter vivenciado violência psicológica - 48,5% (1.070) das raparigas, 39,8% (660) dos rapazes e 70,7% (41) dos que têm outras identidades de género. Quanto ao indicador "controlo", responderam afirmativamente 44,6% (1.760) dos adolescentes e jovens inquiridos – 46,4% (1.024 raparigas), 41,3% (685) rapazes e 74,1% (43) de jovens que se identificam com outras identidades -, apontando em maior número a proibição de estar ou falar com amigos ou colegas.

Dos jovens inquiridos que afirmaram ter uma relação de namoro, 23,3% disseram ter sido vítimas de perseguição, 21,2% de violência através das redes sociais, 14,9% de violência sexual e 12,2% de violência física.

Os resultados indicam que os jovens que se identificam com outras identidades têm uma taxa de resposta afirmativa bastante superior do que os restantes, o que leva as autoras a concluir pela necessidade de “uma importante reflexão sobre as experiências de violência vividas por grupos sociais com características identitárias não normativas”.

Outro dado com interesse é que mais de dois terços dos inquiridos (67,5% dos jovens) não percecionam como violência no namoro pelo menos um dos quinze comportamentos questionados, com os do sexo masculino a legitimarem mais todas as formas de violência no namoro. Por exemplo, os insultos durante uma zanga ou discussão não são reconhecidos como comportamento violento por parte de 21,7% das raparigas e 41,3% dos rapazes. Ou o comportamento de “pressionar para beijar à frente dos amigos”, que é legitimado por 21,4% das raparigas e por 40,9% dos rapazes.

PSP recebeu 10.480 queixas nos últimos cinco anos

A violência no namoro tem aumentado em Portugal e os números da PSP dão conta disso mesmo. Nos últimos cinco anos recebeu 10.480 queixas e a maioria das vítimas são raparigas. De acordo com os números citados pela agência Lusa, em 2018 foram registadas 1.920 queixas, no ano seguinte 2.185, em 2020 diminuíram para 2.051, voltando a subir em 2021 para 2.215 e, no ano passado, as denúncias voltaram a baixar, registando-se 2.109, ou seja, 5,8 queixas por dia.

A violência no namoro, alerta a PSP, assume vertentes física, psicológica, social, sexual e económica e essa violência pode ser concretizada através de injúrias, ameaças, ofensas, agressões, humilhação, perseguição ou devassa da intimidade. Para assinalar o dia dos namorados, a Polícia de Segurança Pública desenvolve esta semana ações de sensibilização e infomação nas escolas sobre a prevenção da violência domestica e da violência no namoro, junto de jovens dos 13 aos 18 anos.

A PSP lança o apelo às vítimas e às pessoas que lhes estão mais próximas para estarem atentas a sinais de pressão constante, como o isolamento da família e amigos em função da vontade do agressor. As denúncias à polícia por violênca no namoro ou noutro contexto podem ser apresentadas nas esquadras ou junto das Equipas da Escola Segura, além de poder ser solicitado apoio através [email protected] ou [email protected].