A vigília desta terça-feira em Lisboa foi convocada pela Amnistia Internacional e serviu para o lançamento de uma petição "que pede que haja um fim ao uso da força excessiva, desproporcionada e letal por parte das forças de segurança no exercício da liberdade de expressão e liberdade de reunião e que haja uma investigação profunda e responsabilização por todos os crimes cometidos. E que haja também, obviamente, reparação e justiça para as famílias das vítimas”, afirmou à agência Lusa Paulo Fontes, da direção de campanhas da secção portuguesa desta ONG.
A iniciativa integra a campanha da Amnistia Internacional em defesa dos direitos humanos em Angola, após a organização ter documentado "casos de dezenas de jovens que sofreram violência policial e repressão por parte das autoridades quando se tentaram manifestar, alguns deles, inclusivamente, pagando com a vida”.
Paulo Fontes lamentou que “todas as pessoas que são uma voz dissidente são vistos pelas autoridades angolanas como incómodos e repetidamente são tratados como criminosos, quando isto não é verdade”. E prometeu que a Amnistia não vai parar “enquanto não for reposta a liberdade de expressão, a liberdade de reunião e os direitos humanos em geral em Angola e em todo o mundo, mas neste caso em concreto, em Angola”.
Durante a vigília, o responsável da Amnistia leu os nomes das vítimas mortais da repressão da polícia angolana, alguns deles menores de idade. O ativista angolano Kenidi Domingos também esteve presente e disse que o objetivo da iniciativa era denunciar “o nível de repressão policial em Angola, que tem aumentado a cada ano”.
No final de junho, o Bloco de Esquerda apresentou na Assembleia da República um voto de condenação da repressão sobre as manifestações de 17 de junho em várias cidades de Angola. Os cidadãos protestavam contra o aumento do preço dos combustíveis, a perseguição à venda ambulante e a nova lei sobre as ONG que restringe a sua liberdade de ação. Dezenas de manifestantes, incluindo dirigentes políticos da oposição, acabaram detidos nesse dia. Semanas antes, a polícia usou munições reais para reprimir os protestos no Huambo, que provocaram pelo menos cinco mortos, nas contas da polícia, enquanto os manifestantes apontam doze vítimas mortais da repressão.