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Viana do Castelo: descargas poluentes no ribeiro de Radivau

Mais uma vez, o ribeiro de Radivau, afluente do Rio Neiva, foi alvo de descargas poluentes efetuadas por indústrias situadas nas suas margens. O Bloco de Esquerda vai questionar novamente o Governo e a Comissão Europeia. 
Ribeiro de Radivau

Em declarações ao Jornal de Notícias, o presidente da Junta de Freguesia de São Romão do Neiva referiu que as mais recentes descargas foram identificadas no dia 5 de dezembro, data em que reportou o ocorrido à GNR, às Águas do Norte e à Câmara Municipal de Viana do Castelo. 

O autarca considera que a poluição do ribeiro terá origem em “duas ou três empresas da zona industrial de Neiva”, fazendo notar que há zonas onde “o ribeiro está entubado, que são difíceis de detetar”. Os agentes poluentes detetados agora parecem “por vezes, uma pasta branca” e outras vezes “uma pasta cinzenta, gasóleo e óleos”.

A GNR, em declarações à agência Lusa, confirmou as descargas, indicando que o ribeiro “apresenta odor e tonalidade colorida de rejeição de resíduos sem qualquer tratamento”, sendo esta uma “situação é recorrente”.

Bloco questionou Governo em maio sobre descargas

O Rio Neiva nasce na Serra de Oural, em Vila Verde, e desagua no Oceano Atlântico, entre Castelo do Neiva e Antas, na zona limítrofe do Parque Natural do Litoral Norte. Ao longo dos seus 45 quilómetros, passa pelos concelhos de Vila Verde, Ponte de Lima, Barcelos, Esposende e Viana do Castelo. Um dos seus afluentes é o ribeiro de Radivau, situado na zona da freguesia de São Romão do Neiva, em Viana do Castelo. 

Este ribeiro tem sido alvo de diversas descargas poluentes, provenientes de empresas situadas nas suas margens, situação que levou o Bloco de Esquerda a questionar o Ministério do Ambiente e Ação Climática em maio deste ano.

O partido considerava “inadmissível a ocorrência de repetidas descargas ilegais” e solicitava a intervenção das entidades competentes para verificarem a origem da poluição e apurar responsabilidades. “É imperioso proceder à despoluição do ribeiro e por consequência do Rio Neiva para que a população local possa voltar a usufruir daquelas águas”, afirmou o Bloco.

Governo reconhece existência de descargas

Na resposta, o Governo confirmou que a Agência Portuguesa do Ambiente (APA), em articulação com a Câmara Municipal de Viana do Castelo, a Águas do Alto Minho, o Núcleo de Proteção Ambiental e a GNR, “deslocou-se ao terreno para verificação da situação reportada”. 

Desta análise “constatou-se que existem ligações indevidas à rede de águas pluviais, que originam problemas de poluição na linha de água” refere o Governo na resposta acrescentando que “a inspeção é complexa dada a existência de entubamento de alguns troços das linhas de água, com construções sobre os mesmos”. 

A inspeção realizada permitiu identificar “rejeição de águas provenientes do separador de hidrocarbonetos da empresa IVECO, sem autorização, escorrência de águas pluviais de uma obra em curso, contendo lamas e terra ali acumuladas”. Foram também inspecionadas algumas empresas, designadamente GlobalSac, FineCook, Transneiva e Coprimag “tendo-se verificado, em alguns destes estabelecimentos, práticas que poderão ser suscetíveis de gerar descargas residuais e/ou lavagens para a rede de águas pluviais”; esta situação foi reportada “para se proceder às respetivas correções”. 

Nos obstante, seis meses depois, as descargas repetem-se, motivo pelo qual o Bloco de Esquerda vai questionar novamente o Governo, bem como a Comissão Europeia. 

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