“Anunciei que iremos fazer entre 1 e 15 de julho uma revisão exaustiva dos mecanismos de funcionamento do Governo nacional, revendo a execução do Orçamento, ministério a ministério, projeto a projeto, meta a meta”, disse o presidente venezuelano durante uma ação governamental em Caracas. Ao fim desses quinze dias, Maduro promete autocriticar-se “em tudo o que tenha de o fazer frente ao povo, e assumir tudo o que foi mal feito ou não foi feito”. Com esta ação, o presidente venezuelano antecipa também o balanço que será feito quinze dias depois, a 26 de julho, no Congresso do PSUV.
O anúncio de Maduro está a ser lido como uma resposta às críticas internas que surgiram a público após a remodelação governamental, nomeadamente com a carta aberta do ex-ministro do Plano, Jorge Giordani, acusando o presidente de falta de liderança, criticando as opções económicas e lançando suspeitas de corrupção nos negócios do Estado.
“Já dissemos tudo o que nos tínhamos a dizer e agora a mão está estendida e o abraço pronto a dar a todos os companheiros”, declarou Nicolás Maduro.
A carta de Giordani deu origem a outras declarações públicas de ex-governantes e dirigentes do PSUV em solidariedade com o economista que foi um dos principais apoios de Hugo Chávez na definição da política económica dos seus mandatos. A primeira reação da liderança do partido foi a de criticar duramente as palavras de Giordani, atribuindo-as ao egocentrismo do ex-ministro. Em seguida, suspendeu da direção do PSUV Hector Navarro, que ocupara as pastas da Educação e Energia Elétrica nos governos liderados por Chávez.
Mas as novas declarações de solidariedade com os críticos, vindas de figuras históricas do PSUV, como o ex-ministro da Indústria Victor Álvarez, o ex-ministro das Finanças Rafael Isea ou a vice-presidente do Parlamento Latinoamericano Ana Elisa Osorio, contribuíram para que Maduro atenuasse o tom do debate interno e mostrasse mais abertura e menos intolerância. Na mesma declaração em que anunciou a revisão do cumprimento das metas do seu Governo, apelou ao “virar de página” das lutas internas “com cartas para aqui e para ali”. “Já dissemos tudo o que nos tínhamos a dizer e agora a mão está estendida e o abraço pronto a dar a todos os companheiros”, declarou Nicolás Maduro.