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Veículos diesel muito poluentes continuam a crescer na Europa

Portugal tem hoje mais 130 mil veículos a diesel muito poluentes que no ano passado, segundo estudo de uma ONG europeia. Na Europa, são mais 8 milhões. Aumento deve-se a novas vendas e novos dados sobre modelos antes considerados "limpos".
Foto: Automobile Italia/Flickr.
Foto: Automobile Italia/Flickr.

Apesar do escândalo dieselgate e dos investimentos em eletrificação dos grandes construtores automóveis, os veículos a gasóleo muito poluentes continuam a crescer na Europa e em Portugal, revela um documento da Federação Europeia de Transportes e Ambiente (T&E), uma ONG ambientalista que reúne 60 organizações de 25 países europeus, entre elas a associação portuguesa Zero.

Há hoje na Europa 51 milhões de veículos a diesel muito poluentes — definidos pela T&E como veículos nas classes Euro 5 e Euro 6, com emissões de óxidos de azoto (NOx) que são o dobro do valor de referência em testes europeus, ou o triplo em testes reais na estrada. Em 2018 eram cerca de 43 milhões, em 2016, 30 milhões. Em Portugal, são 846 mil hoje, quando no ano passado eram cerca de 710 mil. Ou seja, o números de diesels muito poluentes nas estradas continua a aumentar. O aumento deve-se a novas vendas de modelos poluentes e também a novos provas sobre as emissões reais de modelos que antes não estavam nessa categoria.

Sem surpresas, os países com mais "diesel sujos" são os mais populosos: Alemanha (9,9 milhões), França (9,8), Reino Unido (8,5), Itália (6,7) e Espanha (3,8). Estes seis países representam 81% da frota europeia considerada muito poluente. Analogamente, os maiores fabricantes são também quem tem mais diesel sujos nas estradas: os grupos Volkswagen (11,6 milhões de viaturas), Renault-Nissan (8,1), Peugeot-Citroen (7,2), Daimler e Ford (4 cada).

O dieselgate revelou em 2015 como a Volkswagen manipulava os seus modelos para darem valores artificialmente baixos nos testes oficiais de emissões. Após o escândalo, tanto a Volkswagen como outros fabricantes chamaram à oficina milhões de modelos afetados para corrigir o software fraudulento que permitia emissões acima das oficiais fora das condições de teste. Na Europa, a Volkswagen chamou 8 milhões de viaturas, 125 mil delas em Portugal, onde ainda restam 17 mil por corrigir segundo a associação Zero.

Mesmo que as chamadas à oficina fossem integralmente cumpridas em toda a Europa, a T&E adverte que isso baixaria o número de diesels muito poluentes em apenas 16%, para 42,5 milhões de viaturas. Além disso, estas chamadas à oficina mudam apenas o software de controlo de emissões dos veículos, cuja eficácia a T&E considera questionável comparada com alterações mecânicas como a instalação de catalizadores SCR (redução catalítica seletiva). Porém, os fabricantes evitam fazer alterações mecânicas porque são muito mais caras e têm de arcar com o custo. E as autoridades europeias, nacionais e comunitárias, acusam tanto a T&E como a Zero, mantêm uma atitude de conivência perante a indústria automóvel.

Termos relacionados Escândalo Volkswagen, Ambiente
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