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Utilização da água do Alqueva está “muito longe de ser sustentável”, alerta a ZERO

A expansão da área de regadio do empreendimento coloca “em causa” a margem de segurança para rega, alerta a associação ambientalista ZERO.
Alqueva. Foto de Filipe Rodrigues / Flickr.

A Associação Sistema Terrestre Sustentável - ZERO, apresentou em comunicado a avaliação à utilização da água gerida pelo Empreendimento de Fins Múltiplos de Alqueva (EFMA), e concluiu que “o uso da água do Alqueva está muito longe de ser sustentável”, noticia a Lusa.

Para a associação, "agora que a primeira fase do EFMA está praticamente concluída e uma segunda está a ser implementada, é inegável que estamos perante opções erradas na gestão, as quais vão ter reflexo no futuro do empreendimento".

Em causa está o “fornecimento de água pela Empresa de Desenvolvimento e Infraestruturas de Alqueva (EDIA) em regime precário” ter já atingindo "cerca de 20.000 hectares, em grande parte para culturas permanentes".

E a previsão será o agravamento do problema. Uma vez que a segunda fase de implementação do EFMA, já em implementação, prevê a criação de mais 50 mil hectares de regadio permanente, "sendo que a margem de segurança para a disponibilidade de água para rega invocada para a dimensão do Alqueva é posta em causa ao fazer-se um acréscimo desta ordem".

Em particular expansão está a cultura do amendoal, uma cultura “mais consumidora de água do que o olival”, o que contraria o argumento da EDIA “que as culturas instaladas são menos consumidoras de água do que o previsto, dando margem" para o aumento da área de regadio do EFMA”.

"A quantos anos de seca pode a albufeira responder em dotações para rega quando tivermos quase 200.000 hectares dependentes em época normal e mais ainda nas fases de seca?", questiona a associação.

Para a ZERO, "este enorme investimento público associado à implementação de 120.000 hectares de perímetros de rega e ao fornecimento de água subsidiada, não foi acompanhado de um planeamento capaz de ter em conta a realidade nacional e os problemas da soberania alimentar e muito menos por meios eficazes de acompanhamento e controlo na fase de instalação e exploração".

"É esta a agricultura que queremos para a região? Monoculturas para exportação com base na subsidiação da água e no maior investimento público ao nível agrícola jamais efetuado? Ou mais diversificação [que] possa responder às necessidades alimentares do país?", questiona ainda a ZERO.

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