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Olival e amendoal intensivo ocupam 75% da zona de rega do Alqueva

As culturas intensivas de olival e amendoal tomaram conta da maior parte do perímetro de rega do Alqueva. Alberto Matos, do Bloco de Esquerda de Beja, acredita que as Câmaras devem tomar posição, que não pode ser “o vale tudo” e lembra que o Bloco tem um projeto de lei para regulamentar estas plantações.
Olival intensivo em Alfundão, Viana do Alentejo.
Olival intensivo em Alfundão, Viana do Alentejo. Foto de Paula Nunes.

Intensifica-se o crescimento das culturas intensivas e super-intensivas no Alqueva. Os números do Anuário Agrícola de Alqueva de 2019 revelam um crescimento forte das culturas de olival e amendoal. Estas culturas intensivas e super-intensivas ocupavam, no final do ano passado, cerca de 75% da área de rega no perímetro do Alqueva. O olival ocupava 66.327 hectares e o amendoal 11.448 hectares de um total de 96.000 hectares.

Entre o final de 2015 e o de 2019, o olival passou de 26.673 hectares para 66.327 hectares. Só entre 2018 e 2019, esta cultura cresceu 14000 hectares, a um ritmo de mil hectares por mês. O que resultou num aumento de 25% da produção de azeitona na campanha de 2019/2020.

A EDIA aplicou restrições no acesso à água a quem tenha explorações fora dos blocos de rega do empreendimento mas a exceção foram novas culturas permanentes e de alto rendimento nas quais se incluem o olival, o amendoal, a vinha e as árvores de fruto.

Na zona do Alqueva assiste-se também à destruição de zonas de montado de sobro e azinho para plantar olival intensivo e ao arranque de plantações de olival intensivo trocando-o por olival super-intensivo.

Também o amendoal intensivo está a crescer. Havia, no final de 2015, 975 hectares de amendoal no Alqueva. No final de 2019 eram 11.448 hectares. A EDIA explica este aumento através do investimento espanhol.

“Isto é o vale tudo”

Alberto Matos, coordenador do Bloco de Esquerda de Beja, tomou posição sobre este aumento no programa “Visão dos Tempos” da Rádio Pax. Segundo este dirigente político, as “Câmaras deviam tomar posição” em relação ao tema. Até porque, em vários casos, estas culturas “violam claramente os PDMs”. Em seu entender, “é preciso estabelecer regras, como, por exemplo, faixas de proteção, distâncias mínimas quer à população quer aos agricultores”.

O bloquista destacou dois dos casos que “conhece bem”, o de Alfundão, em Ferreira do Alentejo, e das Neves, em Beja. Relativamente a este houve mesmo “pareceres técnicos de dentro da Câmara de Beja que se manifestaram contra isso e o executivo, por omissão, ignorou esses pareceres”.

No caso de Alfundão é chocante o facto de “termos amendoal quase até à porta da escola”. “Isto é o vale tudo” e seria preciso “um bocadinho de garganeirice a menos”, insurge-se.

Alberto Matos lembrou ainda que o Bloco tem projetos de lei para “regulamentar, estabelecer regras para a instalação de olival e amendoal em regime intensivo e super-intensivo”. Ainda em maio de 2019, o Bloco apresentou um projeto de resolução no qual propôs uma moratória nacional ao amendoal e olival intensivo “até que se defina regulação da sua limitação” e que ordenem estas culturas com base em critérios ambientais e de proteção de saúde pública.

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