Universidades: Reitores recusam fazer orçamentos com limites impostos pelo governo

27 de agosto 2013 - 11:25

Os reitores das universidades portuguesas anunciaram que não vão entregar orçamentos com as regras impostas pelo governo. “Nem nos dão dinheiro, nem nos deixam arranjá-lo”, afirmou o reitor da Universidade de Coimbra, João Gabriel Silva. Os institutos politécnicos entregaram os orçamentos, mas sem respeitar a imposição governamental das receitas em 2014 não poderem ser superiores às de 2012.

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Reitores denunciam: “Nem nos dão dinheiro, nem nos deixam arranjá-lo” - Foto de Paulete Matos (arquivo)

Em conferência de imprensa dada nesta segunda-feira, o Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas (CRUP) anunciou que as universidades não irão entregar os orçamentos para 2014 com a regra imposta pelo ministério das Finanças, através da Direção-Geral do Orçamento (DGO), de as receitas em 2014 não poderem ser superiores às de 2012. O reitor do ISCTE, Luís Reto, explicou à comunicação social, à margem da conferência de imprensa: “Esta medida inibe a despesa, porque esta depende da receita que tivermos inscrito no Orçamento. Impede assim os orçamentos deficitários”.

Os institutos politécnicos entregaram os orçamentos nesta segunda-feira, mas sem respeitar a regra imposta pela DGO. Em declarações à TSF, o presidente do Conselho Coordenador dos Institutos Politécnicos, Joaquim Mourato, considera que a regra imposta pelo governo “é um atentado à autonomia”.

O prazo de entrega dos orçamentos dos serviços para 2014 terminava nesta segunda-feira, mas o governo anunciou entretanto a prorrogação deste prazo para as 24 horas de quarta-feira, dia 28 de agosto.

Na conferência de imprensa dos reitores, o presidente do CRUP, António Rendas, disse que “é incompreensível que o Ministério das Finanças estabeleça um teto para aquilo que é a nossa capacidade de gerar receitas” e afirmou: “Não existiam condições para que as universidades lacrassem os orçamentos”.

A DGO impõe não só que as receitas em 2014 não possam ser superiores a 2012, mas também impede que as universidades usem parte das receitas. O orçamento de Estado retificativo para 2013 já tinha cativado verbas às universidades, o que significou um corte de 10 milhões de euros.

O CRUP pediu reunião com o ministro da Educação e com o primeiro-ministro.