A um mês das eleições, Assad demite o primeiro ministro

12 de junho 2020 - 15:28

Bashar al-Assad nomeou o ministro dos recursos hídricos como primeiro-ministro interino da Síria. Crise económica e revolta cresce num país que irá a votos em julho.

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Fotografia: Wikimedia

O presidente sírio Bashar al-Assad demitiu Imad Khamis, o primeiro-ministro do país, a um mês das eleições legislativas. Demissão ocorre quando aumenta a crise económica e as revoltas populares. 

Para o lugar de Khamis foi nomeado Hussein Arnous, atual ministro dos recursos hídricos. 

A surpreendente demissão ocorre a meio de uma crise económica cada vez mais profunda que tem levado a população a protestar nas ruas dos territórios controlados pelo governo em manifestações que não eram vistas desde os primeiros dias da guerra civil que destruiu o país na última década.

Segundo a agência Lusa, a moeda nacional do país, a libra síria, atingiu nos últimos dias um mínimo histórico de 3.000 libras por dólar, quando era transacionada a 47 libras por dólar antes da revolução de 2011, ao mesmo tempo que os preços dos bens essenciais dispararam e alguns desapareceram mesmo dos mercados, enquanto os comerciantes lutam para conseguir acompanhar o aumento do custo de vida.

Esta crise económica coincide com a entrada em vigor na próxima semana de novas sanções aplicadas pelos Estados Unidos da América a quaisquer entidades ou países que decidam fazer negócios com Assad e o seu governo. Tal decisão, estima-se, agravará ainda mais a situação económica daquele país. Na Síria, mais de 80% da população vive abaixo da linha da pobreza. 

As eleições sírias, marcadas agora para julho, já foram adiadas em duas ocasiões devido à pandemia de covid-19. Para além da crise económica, a Síria debate-se também com a falta de testes de diagnóstico de infeções por covid-19. Até ao momento, e segundo as autoridades de saúde, foram diagnosticados 152 casos e seis mortes pelo novo coronavírus.