O debate deste domingo entre Catarina Martins e André Ventura ficou marcado desde logo pelo tema da corrupção, onde Catarina declarou que “a extrema-direita nunca fez nada pelo combate à corrupção”, apontado que o candidato da extrema-direita nunca se opôs aos vistos gold ou offshores. “Têm estado caladinhos”, disse não recebendo qualquer resposta de Ventura.
No Twitter, Ana Gomes registou o facto. “Esclarecedor ver o deputado da extrema-direta defender os vistos gold. Com os argumentos que partidos de poder que os criaram e preservam costumam usar”.
Esclarecedor ver o deputado da extrema direita defender os #vistosgold. Com os argumentos q partidos de poder q os criaram e preservam costumam usar.
— Ana Gomes (@AnaMartinsGomes) January 2, 2022
Por seu lado, Luís Aguiar-Conraria sintetiza o debate a este clip e dois momentos altos.
Penso que o debate de ontem se pode resumir neste clip. Já aqui ponho o que penso ter sido os dois momentos altos. pic.twitter.com/5coH92aMlN
— Luís Aguiar-Conraria (@LConraria) January 3, 2022
Fugindo da questão dos offshores, Ventura apontou armas aos beneficiários do Rendimento Social de Inserção. Luís Aguiar-Conraria destaca a resposta de Catarina, uma resposta “que distingue alguém decente, por mais que se discorde dela, de um demagogo reles e mentiroso.
Gostei particularmente deste momento, que distingue alguém decente, por mais que se discorde dela, de um demagogo reles e mentiroso.
Há mts mercedes à porta dos pobres de Rabo de Peixe, onde está concentrada grande parte do RSI dos Açores e das mais miseráveis de Portugal. pic.twitter.com/qianpled0Y— Luís Aguiar-Conraria (@LConraria) January 3, 2022
Destacou ainda o momento em que Ventura se defende sobre acusações de racismo argumentando que “foi apenas condenado por ofensas a uma família”.
Este foi para mim o segundo ponto alto da noite. Quando alguém para se defender diz que foi apenas condenado por ofensas a uma família.
Ah, pronto, muito melhor! Ofensas a uma família de pretos, acrescento eu. pic.twitter.com/67SzwN8gjB— Luís Aguiar-Conraria (@LConraria) January 3, 2022
Este mesmo momento é destacado pelo jornalista Alexandre Martins como “um dos desmentidos mais estranhos de que há memória num debate entre candidatos à Assembleia da República”.
“Eu não fui condenado por racismo; eu fui condenado por ofensas a uma família” é um dos desmentidos mais estranhos de que há memória num debate entre candidatos à Assembleia da República.
— Alexandre Martins (@alexmartins) January 2, 2022
Para a jornalista Fernanda Câncio, Catarina esteve “serena e séria com um laivo de desdém, a ignorar a maioria dos ataques e a atacar [de forma] brutal num ou dois momentos”, nomeadamente sobre racismo. E se “é claro [que] não tira votos ao Ventura (...) mostra que é possível enfrentá-lo sem perder a cabeça nem lhe dar abébias”.
acho q a @catarina_mart esteve muito bem: serena e séria com 1 laivo d desdém, a ignorar a maioria dos ataques e a atacar brutal num ou 2 momentos - o do racismo por ex. é claro ñ tira votos ao ventura, mas mostra q é possivel enfrentá-lo sem perder a cabeça nem lhe dar abébias.
— fcancio (@fcancio) January 3, 2022
O Jovem Conservador de Direita também não deixou passar os melhores momentos do debate: “A dr. Catarina Martins está farta de acusar o dr. Cabeça de Geleia de ser a favor da corrupção. Ridículo. Ele quer acabar com a corrupção através da legalização”.
A dr. Catarina Martins está farta de acusar o dr. Cabeça de Geleia de ser a favor da corrupção. Ridículo. Ele quer acabar com a corrupção através da legalização.
— Jovem Conservador de Direita (@JCdeDireita) January 2, 2022
Por fim, o Polígrafo desmente novamente André Ventura na questão do Rendimento Social de Inserção, concluindo ser Falso que, segundo o candidato de extrema-direita, “anda metade a viver à conta dos outros que estão a trabalhar”. Catarina Martins relembrou que “um terço dos beneficiários de RSI são crianças, além de que muitas são cuidadoras informais, mães de famílias monoparentais”, considerando “cruel” a política da extrema-direita.
O Polígrafo confirmou que existem apenas 12.778 beneficiário de RSI nos Açores, “menos 1,7% em relação a outubro de 2021 e menos 10,4% em relação a novembro de 2020. No total, contabilizaram-se 4.787 famílias que receberam um montante de 273,05 euros, enquanto os restantes beneficiários receberam apenas 83,96 euros, o valor mais baixo de RSI em Portugal”.