Ulrich defende que governo possa impor medidas inconstitucionais

04 de junho 2014 - 17:27

O presidente do BPI afirmou-se “chocado” com o facto do Tribunal Constitucional ter chumbado os cortes salariais. À margem de uma conferência sobre financiamento bancário às empresas que decorreu esta terça feira em Leiria, Ulrich frisou que "preferia que os governos apoiados em maiorias pudessem funcionar com mais liberdade”.

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Foto António Cotrim, Lusa.

"A mim choca-me um bocadinho que um grupo, por mais respeitável e prestigiado e competente que seja" de 13 pessoas, "todas da mesma formação - porque são todas juristas - por mais eminentes que sejam, tenham o poder de decidir matérias que, do meu ponto de vista, vão muito para além da questão jurídica", referiu Fernando Ulrich.

O presidente do BPI reagia desta forma ao acórdão do Tribunal Constitucional que declara a inconstitucionalidade dos cortes nos salários acima dos 675 euros, a alteração ao cálculo das pensões de sobrevivência e a aplicação de taxas de 5% sobre o subsídio de doença e de 6% sobre o subsídio de desemprego.

O banqueiro considera que as questões da gestão da economia do país "deviam poder ser decididas pelo Parlamento" e deixou claro que "preferia que os governos apoiados em maiorias pudessem funcionar com mais liberdade”.

"Não tenho dúvida de que o país vai para a frente com estas soluções ou com outras", avançou ainda Ulrich, sublinhando que "se o Tribunal Constitucional tivesse deixado passar as medidas, havia portugueses que tinham determinadas consequências negativas para si; se a solução não é essa e tiver que ser aumento de impostos, será distribuído por outros portugueses ou por mais portugueses".