"A mim choca-me um bocadinho que um grupo, por mais respeitável e prestigiado e competente que seja" de 13 pessoas, "todas da mesma formação - porque são todas juristas - por mais eminentes que sejam, tenham o poder de decidir matérias que, do meu ponto de vista, vão muito para além da questão jurídica", referiu Fernando Ulrich.
O presidente do BPI reagia desta forma ao acórdão do Tribunal Constitucional que declara a inconstitucionalidade dos cortes nos salários acima dos 675 euros, a alteração ao cálculo das pensões de sobrevivência e a aplicação de taxas de 5% sobre o subsídio de doença e de 6% sobre o subsídio de desemprego.
O banqueiro considera que as questões da gestão da economia do país "deviam poder ser decididas pelo Parlamento" e deixou claro que "preferia que os governos apoiados em maiorias pudessem funcionar com mais liberdade”.
"Não tenho dúvida de que o país vai para a frente com estas soluções ou com outras", avançou ainda Ulrich, sublinhando que "se o Tribunal Constitucional tivesse deixado passar as medidas, havia portugueses que tinham determinadas consequências negativas para si; se a solução não é essa e tiver que ser aumento de impostos, será distribuído por outros portugueses ou por mais portugueses".