Ulrich admite que deveria ser internado

15 de março 2013 - 1:50

O mesmo banqueiro que disse que Portugal “aguenta, aguenta” mais austeridade, diz agora que não soube transmitir a mensagem e que não recomenda que o país não cresça. “Se eu pensasse isso, eu deveria ser internado, era um maluco perigoso”.

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Ulrich não aguentou, não aguentou continuar a defender mais austeridade.

O banqueiro Fernando Ulrich, do BPI, disse esta quinta-feira à noite na SIC Notícias que na celeuma criada pelas suas declarações de que Portugal aguenta mais austeridade não conseguiu transmitir a mensagem. “O que eu digo é que se não pusermos a economia a crescer – mesmo que não caia, mas se o PIB ficar a zero durante mais cinco anos, eu não sei onde vai parar o desemprego”. E acrescentou: “Como calcula não me passa pela cabeça recomendar que isso aconteça ou que isso seja bom. Eu disse no outro dia no Parlamento e repito: se eu pensasse isso, eu deveria ser internado, era um maluco perigoso, se eu recomendasse isso como remédio para a sociedade portuguesa”.

Refrescando a memória

Recordemos então o que disse Ulrich, para avaliar se se deveria seguir a sua própria receita, isto é, interná-lo por ser um maluco perigoso.

Em 30 de outubro de 2012, Fernando Ulrich, que falava na conferência III Fórum Fiscalidade Orçamento do Estado 2013, perguntou se o país aguenta mais austeridade e ele próprio respondeu: “Ai aguenta, aguenta!”. E explicitou: “Não gostamos, mas [Portugal] aguenta”, disse.

Em 31 de janeiro deste ano, voltou à carga na sua defesa de que o país aguenta mais austeridade. E explicitou claramente o que queria dizer: “se os gregos aguentam uma queda do PIB de 25%, os portugueses não aguentariam porquê? Somos todos iguais, ou não?" E sublinhou: "Se os sem-abrigo aguentam porque é que nós não aguentamos?"

Em 5 de fevereiro, disse no parlamento: "Fiz afirmações absolutamente banais e não vejo porque alguém se choca com elas”. E insistiu: “Não tenho de pedir desculpas a ninguém, não teria nenhuma dificuldade em o fazer".

Em nenhum momento se ouviu o banqueiro dizer que defendia o crescimento e o investimento. Pelo contrário: o exemplo que buscou foi o da queda de 25% do PIB da Grécia, sem sair da receita da austeridade, e de mais austeridade.

Agora, sem reconhecer, mudou de discurso. “Partilho essa visão de uma sociedade entristecida, desmotivada e descrente” disse no programa Quadratura do Círculo, da SIC Notícias. Afinal, ele não aguentou, não aguentou continuar a defender mais austeridade.