"Ulrich, porque não te calas?"

14 de fevereiro 2013 - 15:00

Um grupo de reformados, desempregados e estudantes concentarram-se esta quinta-feira em frente à sede do BPI no Porto. Os manifestantes quiseram partilhar o "repúdio" e a "vergonha" pelas recentes declarações polémicas do banqueiro.

PARTILHAR
As declarações de Ulrich continuam a provocar reações de desagrado na sociedade. Foto João Relvas/Lusa

As declarações "infelizes" do banqueiro e os lucros "obscenos" do banco, apresentados há poucas semanas, foram os motivos que levaram um grupo de cidadãos a protestar junto à sede do BPI no Porto. No momento da apresentação dos 240 milhões de lucro do BPI, Ulrich voltou a defender que o povo aguenta mais austeridade, perguntando aos jornalistas presentes “se os sem-abrigo aguentam, porque é que nós não?” e acrescentando que até ele não estaria a salvo de ir morar para a rua.

“Foram declarações muito infelizes”, disse aos jornalistas Pedro Arcos, 58 anos, reformado, adiantando que aquele grupo de manifestantes sente “um grande repúdio” e “uma grande vergonha”. Segundo a agência Lusa, nos cartazes empunhados pelos manifestantes podia ler-se “O povo a pagar e os bancos a roubar”, “Para o banco milhões, para o povo são tostões”, “É o povo a pagar e os mamões a mamar”, “Salário mínimo nacional 485 euros, lucros do BPI 240 milhões” ou “Mais de 700 mil desempregados sem subsídio de desemprego. Porque não te calas?” 

Alguns dos manifestantes entraram mesmo nas instalações do BPI a pedir um “plano de investimentos em que o lucro fosse os 240 milhões de lucros do BPI”. “Não houve praticamente reação [dentro do Banco]. Aceitaram”, disse Pedro Arcos, explicando que foi “uma brincadeira” e “uma demonstração” com o intuito de protestar contra as políticas que “dão cada vez mais lucros aos banqueiros”. Segundo Ana Gonçalves, uma das jovens presentes no protesto, houve um funcionário do banco que disse não poder responder a este pedido, mas que perguntassem ao “senhor Ulrich”.