Lisboa

Tutti Frutti: Moedas tem mais um arguido na vereação

29 de maio 2024 - 10:27

O presidente da distrital lisboeta do PSD e um dos “super-vereadores” da lista de Carlos Moedas é o mais recente arguido na operação “Tutti Frutti”. Bloco quer saber se o autarca vai manter a coerência e afastar Ângelo Pereira.

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Carlos Moedas e Ângelo Pereira
Carlos Moedas e Ângelo Pereira. Foto publicada na conta Facebook do vereador do PSD.

O número três do executivo municipal de Lisboa foi constituido arguido na operação Tutti Frutti, que investiga contratos paralelos em juntas de freguesia e na autarquia lisboeta e negócios cruzados entre entidades públicas e empresas de figuras próximas de dirigentes locais do PSD. Também sob investigação está uma alegada troca de favores entre dirigentes do PSD e do PS lisboeta para a manutenção do “status quo” na repartição do poder local na cidade. A CNN Portugal diz que o autarca já consultou os autos do processo esta terça-feira no DIAP de Lisboa.

A seguir a Moedas e ao seu vice Anacoreta Correia, Ângelo Pereira é o vereador com mais poder no executivo. Segundo o site oficial da CML, ele acumula os pelouros da segurança e polícia municipal, desporto, proteção civil, estrutura verde e plano verde, higiene urbana, cemitérios, frota, unidade de coordenação territorial, proteção animal, acessibilidade pedonal, metrologia (sic) e planeamento e gestão da Quinta Pedagógica dos Olivais.

O agora arguido está nos meandros da vida autárquica desde 2002, quando entrou nos quadros da Câmara de Oeiras enquanto técnico do Gabinete de Juventude. Em 2006 tornou-se assessor do vice-presidente da autarquia, Paulo Vistas. No final do mandato trasitou para o mesmo cargo na Câmara de Sintra até 2009 e regressou a Oeiras já como vereador em 2013, onde ficou até assumir idêntica função em Lisboa, eleito na lista de Moedas. Quando era vereador em Oeiras foi um dos protagonistas do caso das viagens pagas pela empresa tecnológica chinesa Huawei, tendo viajado à China em 2015 com outros dois envolvidos no caso Tutti Frutti: o então deputado e vice-presidente da bancada do PSD Sérgio Figueiredo e o ainda hoje presidente da Junta de Freguesia da Estrela e líder da concelhia de Lisboa do PSD e também deputado, Luís Newton.

Em comunicado, o gabinete da vereação do Bloco de Esquerda em Lisboa diz que “face à gravidade da situação, Carlos Moedas deve esclarecer as condições em que Ângelo Pereira se mantém no cargo de vereador na CML”.

Para o Bloco, “esta seria sempre uma obrigação do Presidente da Câmara, mesmo que não tivesse sido eleito sob a promessa de que "nunca teria a trabalhar [consigo] um vereador suspeito de um crime”, afirmações feitas numa entrevista ao Público antes de ser eleito presidente da autarquia.

Caso Moedas cumpra o que prometeu, este será o segundo vereador afastado do executivo por causa de problemas com a justiça em poucas semanas, após o vice-presidente do CDS Diogo Moura também ter saído na sequência da acusação pelo Ministério Público de tentar subverter duas eleições para o Conselho Nacional do seu partido.