Os novaiorquinos vão às urnas esta terça-feira para escolher o próximo mayor da cidade. E a crer nas sondagens, tudo indica que podem eleger o mais jovem do último século, o primeiro muçulmano e o mais à esquerda. Aos 34 anos, nascido no Uganda e que se apresenta como socialista democrático ou “uma espécie de político escandinavo, só que mais castanho”, Zohran Mamdani fez uma campanha centrada em respostas ao aumento do custo de vida e à perda de qualidade de vida na maior cidade dos EUA. Prometeu uma rede de creches para todos, congelar as rendas dos apartamentos com renda estabilizada (cerca de metade dos apartamentos numa cidade em que 70% da população é inquilina), construir mais 200 mil apartamentos com renda acessível em 10 anos, tornar gratuitos os autocarros da cidade e abrir mercearias municipais.
O alcance da mensagem e da sua imagem teve eco junto do eleitorado, em especial a grande fatia que estava afastada da política. Para isso contribuiu uma estratégia de comunicação eficaz nas redes sociais para popularizar a imagem do candidato e as suas propostas, em aberto contraste com os restantes políticos do Partido Democrata, a complementar a tradicional campanha de porta-a-porta nos bairros.
O sucesso foi tal que no último dia de campanha surgiram na campanha os dois pesos-pesados da extrema-direita estadunidense para tentar evitar o que já parece ser quase impossível: evitar que Zohran Mamdani vença as eleições desta terça-feira. Primeiro foi Donald Trump a anunciar o seu apelo ao voto no candidato Democrata que Mamdani derrotou nas primárias e que prosseguiu na corrida como independente, o ex-governador Andrew Cuomo. "Quer goste ou não de Andrew Cuomo, você realmente não tem escolha. Deve votar nele e torcer para que ele faça um ótimo trabalho”, defendeu Trump, que no domingo já tinha repetido a ameaça de cortar no financiamento federal a Nova Iorque caso Mamdani vença as eleições. E foi mais longe a renegar o apoio que dera ao candidato republicano Curtis Sliwa, que segue em terceiro lugar nas sondagens: “Um voto em Curtis Sliwa… é um voto em Mamdani”, escreveu Trump na sua rede social.
A campanha de Mamdani não perdeu tempo em capitalizar este apoio ao adversário, com o candidato a afirmar que “o apoio do movimento MAGA a Andrew Cuomo reflete o entendimento de Donald Trump de que este seria o melhor presidente da câmara para ele”.“Não o melhor presidente da câmara para a cidade de Nova Iorque, não o melhor presidente da câmara para os nova-iorquinos, mas o melhor presidente da câmara para Donald Trump e a sua administração”, afirmou Mamdani. O próprio Andrew Cuomo recebeu o apoio como quem recebe um presente envenenado: “Ele não me está a apoiar. Está a opor-se a Mamdani”, afirmou o ex-governador.
Horas depois foi o bilionário Elon Musk a escrever na sua rede social uma mensagem na mesma linha de Trump: “Lembre-se de votar amanhã em Nova Iorque! Tenha em mente que um voto em Curtis é, na verdade, um voto em Mumdumi ou lá como ele se chama”, escreveu o antigo apoiante, aliado e conselheiro do Presidente dos EUA.