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Trump ameaçou países da NATO com invasão russa

Num comício na Carolina do Sul, o ex-presidente dos EUA e candidato favorito nas sondagens à Casa Branca recordou a ameaça que deixou a um Presidente europeu sobre o que pode acontecer aos países da NATO que não gastem 2% do seu PIB com a defesa.
Donald Trump num comício
Donald Trump num comício. Foto da campanha.

Numa altura em que o Senado dos EUA discute um novo pacote de ajuda militar à Ucrânia, o tema da participação norte-americana na NATO regressou à campanha eleitoral pela mão de Donald Trump, num comício na Carolina do Norte. Ali retomou as suas críticas ao funcionamento da organização e ao que diz ser os países "devedores", ou seja, que não cumprem a meta de investir 2% do seu PIB na defesa.

Para Donald Trump, estes países estão em dívida com a NATO e, tal como nas organizações mafiosas que praticam a extorsão em troca de segurança para os estabelecimentos das suas vítimas, o ex-presidente põe-se no lugar do chefe do gangue e ameaça-os com a invasão russa.

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Segundo o próprio Trump, foi isso mesmo que fez num encontro que não quis precisar qual foi, mas no qual estaria presente um chefe de estado de "um grande país", que lhe terá perguntado se os EUA iriam protegê-los em caso de invasão russa se não fizessem essa despesa. E diz que respondeu assim: "Não, eu não vos protegeria. Na verdade, encorajava-os a fazer o que raio quisessem. Têm de pagar. Têm de pagar as vossas contas".

As palavras de Trump foram mal recebidas na Polónia, com o recém-eleito primeiro-ministro Donald Tusk a lembrar que tem uma guerra na sua fronteira e a questionar-se se os EUA irão mostrar no futuro "inteira solidariedade com os países da NATO neste conflito que promete estar para durar com a Rússia". Tusk, que também falava numa iniciativa de campanha, desta vez para as eleições municipais polacas de 7 de abril, acrescentou que "temos de perceber que a UE não pode ser um gigante económico e civilizacional e um anão no que diz respeito à defesa, porque o mundo mudou".

Apesar de nenhum país dever nada à NATO ou aos restantes membros, no ano passado as previsões indicavam que apenas 11 dos seus 30 membros ultrapassavam a fasquia do investimento de 2% do seu PIB em defesa, enquanto oito países gastariam 1,5% ou menos do seu PIB nesta rubrica do orçamento. Um outro compromisso entre os membros, que todos cumprem. obriga-os a gastar pelo menos um quinto do montante destinado à defesa em grandes despesas de equipamento, incluindo a investigação e o desenvolvimento que lhe estão associados.

Por várias vezes durante a pré-campanha presidencial, Trump afirmou que a Ucrânia nunca teria sido invadida se ele estivesse na Casa Branca e foi ao ponto de prometer ser capaz de acabar com a guerra em 24 horas, sem explicar em que condições isso ocorreria. "Se eu disser exatamente, perco todas as minhas cartas negociais. Quero dizer, não se pode dizer exatamente o que se vai fazer. Mas eu diria certas coisas a Putin. Diria certas coisas a Zelensky", respondeu Trump à NBC em setembro, numa entrevista em que reagiu aos elogios de Putin às suas promessas de acabar com a guerra.

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