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Trotinetas elétricas já chegam a nove localidades em Portugal

As trotinetas elétricas chegaram a Portugal há menos de um ano e já se estendem a nove concelhos do país. Sendo uma forma de mobilidade sustentável, a sua rápida popularidade e uso desordenado começam no entanto a gerar protestos de peões e apelos a melhor regulação.
Trotinetes em Viena, Outubro de 2018. Foto: Michael Coghlan/Flickr.
Foto: Michael Coghlan/Flickr.

Tendo chegado a Portugal em outubro do ano passado, as trotinetas elétricas crescerem rapidamente e já se encontram em nove localidades do país, disponibilizando uma forma mobilidade preferível ao automóvel, mas cujo uso e estacionamento desordenado começa também a causar transtornos, levando a pedidos de melhor regulação da atividade.

No sul do país, as trotinetas já se encontram em Lisboa, Cascais, Almada, e no Algarve em Faro; no centro, em Coimbra e Figueira da Foz; a norte, no Porto, Maia, Gondomar e Matosinhos. A Lime foi a primeira empresa a introduzir as trotinetas, colocando 400 em Lisboa em outubro do ano passado, a que juntou outras 400 em Coimbra em março deste ano. Outras empresas rapidamente vieram fazer-lhe concorrência, como a Bird (500 trotinetas em Lisboa), a Circ/Flash (a única presente em todas as localidades), Hive, Tier, Wind, IOMO, Bungo e Voi. Ao todo há agora nove empresas a fornecer trotinetas no país, todas em Lisboa, algumas noutros locais.

As plataformas de mobilidade elétrica baseadas em aplicações de telemóvel estão portanto em crescimento acelerado. Todas têm um custo de um euro para desbloquear o aparelho, mais 15 cêntimos por cada minuto de utilização. A capital concentra desproporcionalmente a oferta: além das trotinetas, tem também dois serviços de bicicletas (o sistema municipal Gira, com 700 bicicletas e 74 estações, e o mais recente serviço Jump da Uber, com 1750 bicicletas), dois de motas (eCooltra, Acciona) e quatro de automóveis (Emov, DriveNow, Hertz 24/7 City e Citydrive). Ao todo, são 17 serviços na capital.

No entanto, com uma expansão tão rápida começam também a surgir transtornos, particularmente com o estacionamento desordenado das trotinetas. Como estas não têm pontos fixos de recolha e estacionamento, frequentemente acumulam-se sem regra nos passeios e atrapalham os peões, particularmente os mais idosos e com dificuldades de locomoção e visão. A situação gera protestos dos peões e algumas associações começam a reclamar mais regulação.

A Associação Zero, por exemplo, declara-se "completamente favorável" a plataformas alternativas ao automóvel, mas admite "algumas dúvida" sobre a sustentabilidade da atual proliferação de serviços de trotinetas e reclama mais regulação. Francisco Ferreira, presidente da Zero, declarou a Lusa: "É fundamental que uma trotineta não seja utilizada apenas por um número reduzido de quilómetros e depois se deite fora", e caso isso aconteça é necessária de "a recuperação e o encaminhamento dos materiais". Reclama também mais responsabilidade por parte de utilizadores, empresas e autarquias. Estas últimas em particular devem regular o "tratamento das trotinetas, os locais onde elas ficam, para que as pessoas com mobilidade reduzida não sejam afetadas”, pois a "paisagem da cidade começa a ficar muito afetada, principalmente nos passeios".

O presidente da Federação Portuguesa de Cicloturismo e Utilizadores de Bicicleta, José Manuel Caetano, considerou também em declarações à Lusa ser necessária mais responsabilidade e disciplina dos utilizadores, bem como "coordenar e definir algumas regras". Apesar de reconhecer os problemas que as trotinetas estão a causar, contrapôs que "há uma certa vontade de crucificar as trotinetas dos males de que as cidades sofrem", e ressalvou que o mais importante é retirar mais automóveis das cidades, sem o que "não se resolve problema nenhum".

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