Troika são "sádicos" com “licença para continuar a provocar dor”

09 de abril 2013 - 18:46

Os representantes da troika em Portugal são "sádicos" a quem foi dada "licença para continuar a provocar dor". Quem o diz é o Nobel da Economia, Paul Krugman, para quem a queda dos juros da dívida não tem nenhuma ligação com as medidas de austeridade, mas com a intervenção do Banco Central Europeu.

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A queda dos juros da dívida pública portuguesa não tem nada a ver com as medidas de austeridade, como defendem o Governo e a troika, devendo-se antes à intervenção do Banco Central Europeu (BCE). A afirmação é de Paul Krugman que, num post colocado na sua página no New York Times, desenvolve o pequeno texto de domingo, onde já se tinha referido à necessidade de Portugal dizer “não” à política austeridade.

“Esta descida dos juros não tem nada a ver com a austeridade”, defende o economista. "A redução dos spreads, face à Alemanha, pagos por cada país, são totalmente explicados pelo seu valor no pico da crise. Não existe qualquer indício de que as políticas sejam relevantes".

“Realmente a intervenção do BCE “ajudou” algumas pessoas, levando-as a prosseguir as suas más políticas. Mas essas pessoas não são os governos endividados, são os próprios membros da troika, que usam o argumento da descida dos juros da dívida para alegarem que a austeridade está a resultar”, defende Krugman.

Também o elogio, feito por Bruxelas, da “determinação” do Governo em prosseguir e aprofundar a política de austeridade apesar da declaração de inconstitucionalidade de algumas medidas centrais do Orçamento de Estado, não passa sem reparo. O prémio Nobel não só refuta a ligação efetuada (pela troika e pelo Governo português) entre a austeridade e a descida dos juros, como rejeita liminarmente que o abrandamento da austeridade faça disparar os juros.

O peso dado pela Comissão Europeia a este ponto, explica Krugman, tem uma única razão de ser: "a Comissão Europeia congratula-se pelos baixos spreads - que são, afinal, a única boa notícia que têm para dar durante três anos de austeridade - e defendem que iriam embora se aliviassem o sofrimento".