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Três dias de greves nos transportes no Reino Unido

Trabalhadores da infraestrutura ferroviária, de 14 operadoras de comboios, do metro e dos autocarros de Londres vão parar porque os salários crescem menos que a inflação. Alguns avisam que haverá “uma resposta massiva dos trabalhadores” à crise, podendo outros setores juntar-se.
Piquete de greve dos ferroviários britânicos em Berwick com trabalhadores dos vários sindicatos.
Piquete de greve dos ferroviários britânicos em Berwick com trabalhadores dos vários sindicatos.

Apenas um quinto dos comboios estiveram operacionais esta quinta-feira no Reino Unido. Foi o primeiro dia de uma nova série de lutas nos transportes que junta trabalhadores da Network Rail, a empresa que detém a maior parte da infraestrutura ferroviária do país, de várias operadoras ferroviárias, do metro e dos autocarros de Londres. As greves decorrem ao longo de três dias contra os baixos salários, o aumento da inflação e as más condições de trabalho.

Neste dia, a ação de luta é empreendida pelos membros dos sindicatos RMT, Rail, Maritime and Transport e do Unite que trabalham na Network Rail e do Transport Salaried Staffs’ Association em 14 operadoras de comboios. Na sexta-feira, será a vez dos trabalhadores do RMT e do Unite que trabalham no metro entrarem em greve, bem como os do Unite que trabalham nos autocarros da London United. No sábado, estes continuam em greve, junto com os trabalhadores ferroviários que voltam a paralisar.

Os trabalhadores dos autocarros de Cheshire, Lancashire, Manchester e Merseyside também tinham aderido mas suspenderam a participação na ação porque lhes foram oferecidos aumentos salariais de 11,1% que agora terão de ser aprovados ou rejeitados em referendo.

O secretário-geral do RMT, Mick Lynch, explicou ao Guardian que a Network Rail “não melhorou de nenhuma forma a anterior oferta salarial e as empresas operadoras dos comboios não nos ofereceram nada de novo.” A NR apresentou uma proposta de aumento de 8%, que foi rejeitada, as outras empresas não apresentaram qualquer proposta. Já os “patrões do metro estão a ter negociações secretas com o governo sobre cortes nos custos através de despedimentos e de enfraquecer as condições de trabalho e pensões”. Acrescentou ainda que Network Rail ameaçou fazer despedimentos e cortes de 50% no trabalho de manutenção se a greve não fosse desmarcada.

O dirigente sindical diz que a disputa “vai continuar até que consigamos um acordo negociado e os nossos membros decidam se é aceitável ou não”. Se tal não acontecer, a luta pode-se manter “indefinidamente” e a onda de greves pode atingir “todos os setores da economia”. Lynch acusa o governo de “interferência política” para não haver acordo e afirmou num piquete de greve em Euston que haverá “uma resposta massiva dos trabalhadores” à crise e que pensa que “a ação será generalizada e sincronizada” mas pode não assumir “as formas tradicionais”.

Por sua vez, Manuel Cortes, secretário-geral do TSSA, diz que os trabalhadores ferroviários “estão a entrar no terceiro ou quarto ano de congelamento salarial, enquanto os preços dos alimentos e do combustível estão a subir em espiral e a crise do custo de vida do governo conservador está a tornar os trabalhadores mais pobres”. O sindicato pretende ainda que não hajam despedimentos nem alterações unilaterais às condições de trabalho.

O secretário do governo conservador para os Transportes, Grant Shapps, reagiu à greve dizendo que “está claro, a partir de sua abordagem coordenada, que os sindicatos estão empenhados em causar o máximo de sofrimento possível aos mesmos contribuintes que gastaram 600 libras por família para garantir que nenhum trabalhador ferroviário perdesse o emprego durante a pandemia”.

E o administrador-executivo da Network Rail, Andrew Haines, disse que não acredita que os trabalhadores saibam com clareza porque estão a fazer greve e que iria levar a sua proposta de aumento a referendo sem passar pelos trabalhadores.

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