Três dos quatro detidos na manifestação do passado domingo na Guiné-Bissau - Suelina Pina, Dayama e Jonathan Nanque - foram libertados, informou a Frente Popular nas suas redes sociais. O outro, o luso-guineense Armando Formoso da Costa, conhecido por “Etandro”, encontra-se hospitalizado “devido às condições da sua detenção”, denuncia à Deutsche Welle o presidente da Liga Guineense dos Direitos Humanos, Bubacar Turé, mas terá alta ainda esta terça-feira. Nessa mesma notícia, Vigário Luís Balanta, secretário-geral do Movimento “Po de Terra”, temia pelas condições dos presos: “temos informação de que sofreram tortura e estamos preocupados”, afirmava.
À RFI, Armando Lona, coordenador da Frente Popular, ainda antes da libertação, considerava “muito preocupante” a situação do ativista hospitalizado e avançava: “temos informação de que esses nossos colegas foram torturados”.
A manifestação foi co-organizada pela organização cívica “Po de Terra” e pela plataforma Frente Popular e tinha sido marcada para domingo. A polícia ocupou as ruas logo ao início da manhã, impedindo as pessoas de chegar ao local marcado. Os ativistas ainda tentaram mudar a rota mas as forças policiais acabaram por deter quatro dos ativistas presentes, identificados como dirigentes associativos. Armando Lona invoca o direito constitucional à manifestação contra a ordem do Ministério do Interior de Janeiro de 2024 que proíbe manifestações.
Pretendia-se com a mobilização, no dia em que se celebrava o Dia de África, exigir liberdade de expressão, justiça e democracia. A organização falava em “violação sistemática” da Constituição, desrespeito aos direitos humanos e aumento do custo de vida enquanto continua “outro modelo de colonização, onde alguns grupinhos do Ocidente manipulam os Presidentes africanos para fazer a sua vontade ”, defende Balanta.
Lona, por seu turno, lembra que no país “neste momento, o parlamento está fechado, o Supremo Tribunal de Justiça sequestrado, o governo é inconstitucional e o mandato presidencial expirou a 27 de Fevereiro”.