Quatro ativistas detidos na Guiné‑Bissau em manifestação contra Governo

25 de maio 2025 - 16:47

Manifestação que denunciava falta de liberdade de expressão, democracia e "violação sistemática" da Constituição acaba com quatro detenções por parte do regime, entre as quais um ativista com cidadania portuguesa.

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Fotografia de Frente Popular da Guiné-Bissau.
Frente Popular da Guiné-Bissau.

Na manhã deste domingo, quatro ativistas foram detidos durante uma manifestação na Guiné-Bissau que denunciava a “violação sistemática” da Constituição. A manifestação foi organizada pela organização cífica “Po de Terra” e pela plataforma de sindicatos e organizações juvenis Frente Popular.

Segundo o coordenador da Frente Popular, Armando Lona, os ativistas “foram brutalmente detidos”. A organização está a acompanhar a situação para “apurar onde é que estão e como é que foram tratados”.

“Mais uma vez o regime utilizou o mesmo método de repressão”, declarou Armando Lona. “Estamos num processo difícil, com um regime que não respeita quaisquer direitos dos cidadãos. Cada vez que se emite uma opinião, ela é interpretada como ameaça, e somos alvos de perseguição”.

Segundo comunicado do coletivo Consciência Negra, a que o Esquerda.net teve acesso, entre os detidos está o luso-guineense Armando Formoso da Costa, que é hemofilíaco. O coletivo apela por isso ao Governo português e ao Presidente da República de Portugal que intercedam em defesa dos ativistas “garantindo a segurança dos mesmos”.

A manifestação aconteceu na data em que se celebra o Dia de África para exigir liberdade de expressão, justiça e democracia num regime que mantém o Presidente para além do seu mandato. Umaro Embaló continua a governar apesar do seu mandato ter terminado a 27 de fevereiro de 2025.

A Frente Popular da Guiné-Bissau já tinha organizado manifestações em 2025 para exigir a marcação de eleições presidenciais de acordo com o estipulado pela Constituição e pela lei eleitoral. O Parlamento está fechado há um ano e meio e o Supremo Tribunal de Justiça é acusado pela oposição de estar “sequestrado”.

Em antecipação da manifestação, Vigário Luís Balanta, o secretário-geral do movimento “Po de Terra” tinha sinalizado à DW África a ambição de alcançar a atenção da comunidade internacional para os problemas que marcam o país, assinalando que “O regime instalado não respeita a Constituição, não respeita os direitos humanos ”.