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Traficantes sexuais deixaram milhares de mulheres à fome em Itália

Durante o confinamento, as vítimas de tráfico sexual trazidas da Nigéria e exploradas em Itália foram deixadas sem acesso a comida e meios de subsistência.
Trabalhadora do sexo na Itália. Foto de Cooperativa Dedalus.
Trabalhadora do sexo na Itália. Foto de Cooperativa Dedalus.

Segundo o jornal britânico The Guardian, que contactou ONGs e ativistas locais, terão sido milhares as vítimas de tráfico sexual que foram deixadas sem quaisquer meios de subsistência durante o período de confinamento mais estrito em Itália.

Este órgão de comunicação social faz referência aos cálculos do Gabinete Internacional para a Migração das Nações Unidas, segundo os quais mais de 80% das “dezenas de milhares” de mulheres nigerianas que chegaram à Itália por via da Líbia são vítimas de redes de traficantes altamente organizadas. Durante os três meses em que o confinamento devido à pandemia foi mais restrito neste país, estas redes de exploração sexual abandonaram as vítimas e as suas crianças sem meios de subsistência, impedidas de sair de casa ou de trabalhar e, claro, devido à situação ilegal sem quaisquer apoios estatais.

Para muitas, o recursos às associações já estabelecidas no terreno ou às redes de solidariedade que se criaram durante a pandemia foi a forma de procurar lidar com as consequências desta situação.

A cooperativa social Dedalus, de Nápoles, foi uma das entidades que respondeu à chamada tendo começado em março uma iniciativa de crowdfunding para providenciar comida e outro tipo de ajuda a estas mulheres. O seu coordenador, Jean d’Hainaut, considerou “bastante perturbadoras” as condições em que estas mulheres eram forçadas a viver, “especialmente em termos de saúde”. “Foram deixadas sozinhas e sem dinheiro pelos seu exploradores e alguns dos seus senhorios até as despejaram.”

O Guardian cita ainda a opinião de peritos que assinalam que o modus operandi do tráfico sexual de mulheres nigerianas em Itália se alterou recentemente. Antes, estas eram controladas por mamans, mulheres mais velhas que tinham sido também forçadas à prostituição anteriormente, agora estão nas mãos de redes mais sofisticadas do que antes, que operam muitas vezes à distância.

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