Centenas de trabalhadores das Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) estiveram em greve no passado sábado, numa dia de luta que juntou os sindicatos que fazem parte da mesa de negociação com a Confederação Nacional de Instituições de Solidariedade (CNIS) e que contou com uma manifestação dos trabalhadores no Porto. Em causa está uma proposta a desvalorização da força de trabalho das instituições, com uma proposta que mantém a maior parte dos trabalhadores a salário mínimo.
“São trabalhadores que ao contrário do que se dizia são altamente qualificados, mas que em comparação com os trabalhadores da função pública em funções similares, têm salários muito a baixo”, disse aos jornalistas a dirigente sindical do Sindicato dos Trabalhadores da Saúde, Solidariedade e Segurança Social, Paula Sousa.
À Lusa, Paula Santos, que trabalha numa IPSS, disse que trabalha “há 14 anos num colégio com crianças”, que é “um trabalho gratificante, mas cansativo, de muita responsabilidade, com horários pesados” e que no final do mês leva o salário mínimo para casa. Não é justo”, remata.
Cuidados
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Os trabalhadores também se manifestaram por uma semana de trabalho de 35 horas para todos os trabalhadores e o direito à conciliação dos horários de trabalho com a vida familiar, bem como por um complemento pelo trabalho aos domingos e feriados, que atualmente são pagos como um dia de semana.
Rejeitando a proposta da CNIS que mantém a maioria dos trabalhadores a salário mínimo, os trabalhadores das IPSS exigiam, no início das negociações, um aumento salarial de 150 euros, mas receberam a resposta da CNIS para um aumento de 50 euros, que acabaria por ser o aumento para o salário mínimo. Os trabalhadores mostraram-se abertos a um aumento de 80 euros, mas este foi também rejeitado pela CNIS.
Outro problema é o silêncio da própria CNIS, que ao prolongar as negociações, acaba por prejudicar os trabalhadores, que continuam a receber abaixo do salário mínimo enquanto a negociação não é fechada. São cerca de 200 mil trabalhadores que têm rendas e contas para pagar e saem prejudicados.
No dia anterior, também o Sindicato dos Trabalhadores das Funções Públicas e Sociais tinha convocado uma greve para os trabalhadores da IPSS.