Os trabalhadores norte-americanos da Starbucks, filiados no Starbucks Workers United, votaram favoravelmente esta terça-feira, com 98% dos votos, uma autorização para a direção sindical decretar greve em data ainda a determinar se, como previsto, não houver acordo com a gestão a curto prazo.
Este sindicato representa mais de 10 mil baristas de 525 cafetarias nos EUA desta multinacional de lojas de café. Uma presença notável, uma vez que, naquele país, para um sindicato entrar num local de trabalho terá de vencer uma votação entre todos os trabalhadores e que o processo de sindicalização só teve a primeira vitória em 2021 quando uma loja em Buffalo, Nova Iorque, se tornou pioneira na sindicalização. Só este ano, houve mais de cem vitórias neste tipo de votações em locais de trabalho por todos os EUA.
This month, 1000s of union Starbucks workers are getting LOUD and showing the world how strong we are when we work together. If you see us with signs in front of our stores, come ask us about what our union is getting ready for... 👀
[image or embed]— Starbucks Workers United (@sbworkersunited.org) December 11, 2024 at 11:35 PM
De acordo com os trabalhadores, a empresa não lhes apresentou qualquer pacote económico alargado. Pretendem-se aumentos salariais, mais contratações, melhores horários e condições de trabalho. Há ainda centenas de disputas sobre práticas laborais injustas à espera de resolução no organismo de mediação federal, o Conselho Nacional de Relações Laborais.
As negociações entre as partes decorrem desde setembro e já houve algumas pequenas vitórias. Por exemplo, a Starbucks anunciou o aumento da licença de paternidade remunerada de seis semanas para 18, a partir do próximo mês de março. Mas os resultados são considerados escassos.
Em comunicado, o SWU diz que a votação “esmagadora” mostra a vontade dos trabalhadores de fazer “o que for preciso” para fazer avançar as suas reivindicações.
Silvia Baldwin, uma das negociadoras e barista em Filadélfia, defende que “é tempo de finalizar uma estrutura fundamental que inclua investimentos significativos nos baristas e de resolver acusações de práticas laborais injustas”.
Para justificar a falta de investimento na sua força de trabalho, esta trabalhadora usa o seu exemplo: “neste momento estou a ganhar 16,50 dólares por hora. Enquanto isso, o pacote de remuneração de Brian Niccol [o novo CEO da empresa] vale 57 mil dólares por hora. A empresa acaba de anunciar que vou receber um aumento de apenas 2,5% no próximo ano, 0,40 dólares por hora, o que não é quase nada. Corresponde a uma bebida Starbucks por semana”.