A ação que juntou mais de dez trabalhadores e trabalhadoras da MacDonald´s foi promovida pelo Sindicato de Hotelaria do Sul que teve conhecimento do despedimento e da contratação de outros funcionários. Os despedimentos afetam pessoas que trabalham há vários anos na MacDonald's, em várias lojas da cadeia.
Em declarações à agência Lusa, uma das trabalhadoras presente no protesto contou que sofreu há quase um ano um acidente de trabalho numa das unidades da cadeia, estando ainda em recuperação e, como não pode estar no atendimento por não puder usar o calçado fechado, a empresa propôs-lhe a rescisão por não "ter vaga na área administrativa".
Outra trabalhadora, mãe de duas crianças e trabalhadora da MacDonald´s há nove anos e meio foi pressionada a rescindir “voluntariamente” com a empresa. A trabalhadora contou à Lusa: “Na terça-feira apresentaram-me uma proposta de rescisão, afirmando que a empresa está em reestruturação e que há corte de pessoal, porque este não se adequa ao perfil”.
A diretora de recursos humanos da MacDonald's, Sofia Mendonça, disse à Lusa que vão despedir cerca de 50 trabalhadores por "não corresponderem ao perfil" que a empresa procura. Questionada sobre o perfil, Sofia Mendinça disse: "Precisamos de pessoas qualificadas na abordagem ao cliente, o qual tem hoje necessidades diferentes, quer um tratamento mais atencioso. Os trabalhadores têm que ter uma competência comportamental nesta abordagem".
Sofia Mendonça foi ainda questionada pela Lusa sobre o facto de haverem grávidas e lactantes entre as pessoas que estão a ser pressionadas para aceitarem o despedimento “voluntário”. A diretora de recursos humanos afirmou "todas as propostas têm em consideração a situação das pessoas".
É hábito nestes processos de rescisões “por mútuo acordo”, e num tempo em que o desemprego é elevado, as multinacionais como a MacDonald's quererem substituir os trabalhadores por outros com salários mais baixos e/ou menores direitos.