Trabalhadores da Escola Fonseca de Benevides contra o assédio moral

03 de outubro 2023 - 18:52

Há mais de uma dezena de queixas de assédio moral contra a direção. Esta terça-feira, houve greve e concentração em frente à escola.

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Escola Secundária Fonseca de Benevides. Foto do Facebook da Escola.
Escola Secundária Fonseca de Benevides. Foto do Facebook da Escola.

Dina trabalha na Escola Secundária Fonseca de Benevides, em Lisboa, há perto de uma década. Diz à RTP que “sempre” gostou de aí trabalhar mas “ultimamente é que está difícil” por várias situações como ser “isolada num piso sozinha, sem ninguém, sem alunos, sem nada, de castigo”, alegando não saber “porquê, não me deram explicação” e “pressionada a assinar documentos que não é do meu pelouro”.

A peça do canal público indica a existência de 13 queixas de assédio moral contra a direção da escola. Esta terça-feira, houve greve e concentração de trabalhadores em frente a escola para exigir a investigação aos factos.

Luís Esteves, do Sindicato dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais do Sul e Regiões Autónomas, explicou à Lusa que a ideia do protesto era “chamar a atenção para a situação dos trabalhadores na escola alvo de assédio moral, alguns dos quais estão doentes e são seguidos por psicólogos devido ao cenário de pressão e de gritos constantes por parte de elementos da direção”.

Os problemas, diz o sindicalista, arrastam-se há meses mas têm piorado. Daí que se exija uma “investigação presencial” por parte do Ministério da Educação, através da Inspeção-Geral da Educação e Ciência.

O sindicato apresentou já “um leque alargado de queixas” que passaram pela Autoridade para as Condições de Trabalho, tendo informado o primeiro-ministro, ministro da Educação e presidente da Câmara de Lisboa, assim como os vários grupos parlamentares da Assembleia da República.

De acordo com Luís Esteves, há membros da direção da escola a isolar trabalhadores, “insultam e gritam, impedindo-os de comunicar uns com os outros, ameaçam com processos disciplinares”. Para além disso,“a nível de horários para os assistentes operacionais, as mudanças dão-se de um dia para o outro, sem fundamento legal. Acresce ainda a constante rotatividade do seu posto de trabalho, com frequência semanal”.

Em comunicado, o sindicato escreve ainda “o medo não pode vencer, sob pena de muitos mais trabalhadores ficarem doentes, psicologicamente destruídos”. Existem queixas de trabalhadores não docentes e docentes sobre esta situação.”

Presente na concentração esteve também o sindicato STOP. André Pestana solidarizou-se com estes trabalhadores e disse que há situações de assédio em muito mais escolas e que esta, ao mobilizar-se, mostrou ser um “exemplo de coragem”.