Dina trabalha na Escola Secundária Fonseca de Benevides, em Lisboa, há perto de uma década. Diz à RTP que “sempre” gostou de aí trabalhar mas “ultimamente é que está difícil” por várias situações como ser “isolada num piso sozinha, sem ninguém, sem alunos, sem nada, de castigo”, alegando não saber “porquê, não me deram explicação” e “pressionada a assinar documentos que não é do meu pelouro”.
A peça do canal público indica a existência de 13 queixas de assédio moral contra a direção da escola. Esta terça-feira, houve greve e concentração de trabalhadores em frente a escola para exigir a investigação aos factos.
Luís Esteves, do Sindicato dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais do Sul e Regiões Autónomas, explicou à Lusa que a ideia do protesto era “chamar a atenção para a situação dos trabalhadores na escola alvo de assédio moral, alguns dos quais estão doentes e são seguidos por psicólogos devido ao cenário de pressão e de gritos constantes por parte de elementos da direção”.
Os problemas, diz o sindicalista, arrastam-se há meses mas têm piorado. Daí que se exija uma “investigação presencial” por parte do Ministério da Educação, através da Inspeção-Geral da Educação e Ciência.
O sindicato apresentou já “um leque alargado de queixas” que passaram pela Autoridade para as Condições de Trabalho, tendo informado o primeiro-ministro, ministro da Educação e presidente da Câmara de Lisboa, assim como os vários grupos parlamentares da Assembleia da República.
De acordo com Luís Esteves, há membros da direção da escola a isolar trabalhadores, “insultam e gritam, impedindo-os de comunicar uns com os outros, ameaçam com processos disciplinares”. Para além disso,“a nível de horários para os assistentes operacionais, as mudanças dão-se de um dia para o outro, sem fundamento legal. Acresce ainda a constante rotatividade do seu posto de trabalho, com frequência semanal”.
Em comunicado, o sindicato escreve ainda “o medo não pode vencer, sob pena de muitos mais trabalhadores ficarem doentes, psicologicamente destruídos”. Existem queixas de trabalhadores não docentes e docentes sobre esta situação.”
Presente na concentração esteve também o sindicato STOP. André Pestana solidarizou-se com estes trabalhadores e disse que há situações de assédio em muito mais escolas e que esta, ao mobilizar-se, mostrou ser um “exemplo de coragem”.