Em declarações à RTP, José Manuel Oliveira, coordenador da Fectrans - Federação dos Sindicatos dos Trabalhadores dos Transportes e Comunicações, explicou que a reivindicação principal que está na origem da paralisação desta sexta-feira passa pelo aumento geral dos salários.
“Há muitos anos a esta parte o salário tem sido desvalorizado. Durante muitos anos, não existiram sequer aumentos e, atualmente, não está a acompanhar aquilo que é o aumento da salário mínimo”, detalhou.
José Manuel Oliveira assinalou ainda que, “em profissões com elevado nível de responsabilidade e de exigência técnica, [os salários] estão cada vez mais próximos do salário mínimo nacional”.
“Esta é uma questão estratégica”, frisou, dando conta da dificuldade em recrutar novos trabalhadores.
O dirigente sindical afirmou que as negociações estão “bloqueadas” e que “não há perspetiva de que o governo esteja disponível para negociar”. Neste contexto, estão já preparadas novas formas de luta, como é o caso da concentração nacional das duas empresas a 6 de julho.
José Manuel Oliveira lembrou que, “na propaganda governamental, o caminho de ferro é uma prioridade deste governo”. E deixou um alerta: “não há futuro para estas empresas sem trabalhadores”.
As perturbações na circulação dos comboios deverão prolongar-se até este sábado, não existindo serviços mínimos.
De acordo com o balanço apresentado pela CP à agência Lusa logo pela manhã, dos 37 comboios suprimidos, 26 são do serviço regional, seis urbanos do Porto, três urbanos em Lisboa e dois de longo curso. Na mesma altura, José Manuel Oliveira referia que as perspetivas apontam para uma forte adesão à greve e muitas perturbações no serviço prestado ao público: bilheteiras e comboios.
A greve dos trabalhadores da CP - Comboios de Portugal, da IP e das suas empresas filiadas (IP Telecom, IP Património e IP Engenharia) foi convocada pelo Sindicato Nacional dos Trabalhadores do Setor Ferroviário (SNTSF) e pela Federação dos Sindicatos dos Transportes e Comunicações (Fectrans).