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Greve na CP conta com adesão acima dos 90%

Revisores e trabalhadores das bilheteiras estão em greve até terça-feira. Entre a meia-noite e as 6h de segunda-feira circularam apenas dois comboios para além dos serviços mínimos.
Comboio
Foto de Paulete Matos

Por aumentos salariais e o cumprimento do acordo de empresa, os trabalhadores das bilheteiras e revisores da CP estão em greve entre domingo e terça-feira e contestam também a proposta de regulamento de carreiras entregue pela empresa.

No domingo, o Sindicato Ferroviário da Revisão Comercial Itinerante (SFRCI) anunciou uma adesão superior a 90% em todo o país e o cumprimento dos serviços mínimos que abrangem 25% dos comboios.

Esta segunda-feira, entre a meia noite e as 6h da manhã, circularam os 31 comboios que correspondem aos serviços mínimos e mais dois comboios para além daqueles. 36 dos 67 comboios programados ficaram parados, disse a administração da CP à agência Lusa.

“Hoje de facto verificamos que há uma adesão maciça a este pré-aviso de greve. Estamos a cumprir os serviços mínimos. Há um ou outro comboio a mais a circular de forma residual. De um modo geral as bilheteiras estão na sua maioria encerradas ou a trabalhar com um número reduzido de trabalhadores”, disse à Lusa o dirigente do SFRCI, Luís Bravo.

Os trabalhadores contestam o ”aumento da polivalência de funções" e a "junção e extinção de categorias profissionais" que a administração pretende fazer através do regulamento de carreiras que propõe. E dizem que isso ”vai pôr em causa postos de trabalho presentes e futuros".

Por outro lado, reivindicam o aumento do salário base, “que atualmente está no limiar do salário mínimo nacional”, bem como a "reposição das perdas salariais sofridas pelos ferroviários operacionais que foram contagiados pela pandemia provocada pela covid-19, bem como pelos que tiveram de cumprir confinamento profilático por estarem em contacto com colegas infetados".

Com esta greve, pretendem  ainda manter os níveis de segurança ferroviária que dizem estar “a ser colocados em causa pela CP e pelas alterações impostas pelo IMT [Instituto da Mobilidade e dos Transportes] aos regulamentos gerais de segurança, cujo objetivo é servir as empresas privadas que reduzem postos de trabalho e custos com segurança ferroviária".

O SFRCI encara a paralisação como a "última forma de luta" face à "recusa de diálogo e à inoperância, há vários meses, na resolução dos problemas dos trabalhadores por parte do Conselho de Administração da CP". E acusa a administração de ter violado o acordo de empresa em vigor, pelo que exige a "aplicação do acordo assinado com o Ministério das Infraestruturas em 2018, relativo à certificação do agente de acompanhamento".

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