Em plenário realizado no dia 25 de março, uma larga maioria dos funcionários da Ascenza Agro decidiu avançar para a greve. Assim, no dia 4 de abril os trabalhadores estão em greve por um período de 24 horas. Às 8h00, concentraram-se junto à portaria da empresa, situada na Avenida do Rio Tejo, Herdade das Praias, em Setúbal.
Segundo o Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Energia e Atividades do Ambiente do Sul (SITE Sul), a greve contou esta manhã com forte adesão no primeiro turno e prossegue assim também no segundo turno.
Em comunicado, o sindicato responsabiliza a administração da empresa por este conflito, uma vez que esta “recusa negociar o Caderno Reivindicativo”.
A estrutura sindical reivindica uma atualização dos salários e acusa também a empresa de “alterar os plafonds do seguro de saúde, sem ter discutido a medida com os trabalhadores”. A greve é também “contra o despedimento coletivo intentado e pela defesa de todos os postos de trabalho”.
“A administração alega dificuldades em manter a viabilidade do negócio, para justificar a negação de aumentos salariais anuais, e para defender a necessidade de reestruturação, levando a cabo um processo de despedimentos colectivo. Além disso, faz questão de promover um clima de receio e insegurança por todas as secções da fábrica” afirma o Site Sul.
“No entanto, a empresa apresenta investimentos na unidade fabril e continua a ter níveis de produção consideráveis, com reflexos positivos nos lucros. E, logo a seguir a um despedimento coletivo, admite novas contratações”, refere a estrutura sindical, acrescentando que “estes factos provocam muitas dúvidas, quanto à veracidade dos motivos que conduziram ao despedimento coletivo, e reforçam a convicção dos trabalhadores de que a Ascenza Agro tem condições para responder positivamente às suas justas reivindicações”.
A Ascenza Agro, antiga SAPEC, situa-se em Setúbal e conta com mais de 600 trabalhadores. É a maior empresa nacional na produção de pesticidas, apresentando um volume de negócios de 192 milhões de euros.
Bloco questiona Governo sobre o conflito na Ascenza Agro
Em requerimento dirigido à nova ministra do Trabalho, a deputada bloquista Joana Mortágua perguntou esta quinta-feira que medidas está o Governo disposto a adotar no sentido de contribuir para a resolução deste conflito e garantir o cumprimento integral dos direitos dos trabalhadores.
O Bloco lembra que esta empresa detida pelo Rovensa, um grupo internacional na indústria agrícola com presença em mais de 30 países, está a ameaçar com um processo de despedimento coletivo enquanto "apresenta investimentos e níveis de produção consideráveis, além de admitir a contratação de novos funcionários logo após os despedimentos coletivos".
Uma delegação da distrital do Bloco de Esqquerda de Setúbal esteve presente na concentração dos trabalhadores.