Toyota-China: terceira paralisação

23 de junho 2010 - 14:59

Greve dos trabalhadores da Denso Corp, que produz peças do sistema de combustível, paralisa mais uma vez a produção de automóveis Toyota. Por Tomi Mori, de Tóquio para o Esquerda.net

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A terceira greve numa fornecedora de auto-peças provocou a paralisação da produção da Toyota em Guangzhou, a terceira cidade chinesa após Pequim e Xangai e que faz parte de Guangdong – que se transformou na província de vanguarda da luta dos trabalhadores chineses. Os trabalhadores de Guangdong, que arrancaram várias vitórias salariais nas ultimas semanas, estão a dar o exemplo para as greves que estalam em várias partes do país.

Desde segunda-feira, os trabalhadores da Denso Corp, que produzem peças do sistema de combustível para os carros da Toyota, estão em greve reivindicando aumentos salariais. Nessa unidade da Denso, que é a maior fabricante de auto-peças do Japão, trabalham cerca de mil funcionários. A empresa possui participação accionária da Toyota e também produz componentes para a Honda, Mazda e Suzuki.

Desde que a Toyota se transformou na maior fabricante mundial de automóveis, parece que as más noticias não param de atormentar a vida dos seus executivos. Depois de se tornar centro do noticiário internacional com os problemas de segurança que causaram a morte de clientes nos EUA, a situação parecia ter acalmado nas últimas semanas. Mas outra vez a Toyota volta a ser manchete das notícias, com a paralisação das suas fábricas na China, por estar a pagar, directa ou indirectamente, salários miseráveis aos trabalhadores que produzem os seus confortáveis e luxuosos carros.

A unidade de Guangzhou, que tem capacidade de produção de 360.000 veículos por ano, é responsável por 40% da produção da empresa no país e fabrica, entre outros, o modelo Camry. Mesmo tendo de arcar com salários maiores, a empresa afirmou que não tem interesse de sair do país, já que, além da importância das suas unidades para a exportação, há um boom no consumo de carros na China.

As últimas greves, além de questionarem os salários, colocaram em questão o famoso sistema Toyota, que funciona cronometricamente sem stocks suplementares. O sistema foi e continua a ser viável no Japão, mas o mesmo não se pode dizer sobre a China depois das greves dos últimos dias.