A poderosa onda de greves que percorre a China bateu às portas de Pequim. Na terça-feira, os trabalhadores da Tianjian Starlight Rubber & Plastic Co, associada à Toyada Gosei, uma subsidiária da fabricante de automóveis Toyota, fizeram uma rápida greve, com os trabalhadores retornando ao trabalho depois de arrancar aumentos salariais.
As negociações continuam, mas já num marco de vitória dos trabalhadores, que podem voltar à greve caso o acordo final não seja satisfatório.
A Tianjian Star Light fabrica cintos para utilização nos carros. Mas já está claro que agora chegou a vez da Toyota, após três greves paralisarem as operações da rival Honda nos últimos dias. A greve foi na cidade de Tianjin, próxima a Pequim. A Toyota é particularmente frágil perante as greves, já que o seu sistema produtivo é baseado na inexistência de stocks, sistema que ficou mundialmente conhecido.
A rapidez na resolução da greve é produto da aprendizagem com as greves da Honda. Se a Toyota não quiser passar por uma onda de greves em todas as unidades que possui na China, terá de responder rapidamente às desigualdades de salário existente entre os seus funcionários.
Greves contra a patronal e a federação sindical chinesa
A actual onda de greves, que está a estremecer os pilares das relações trabalhistas na China moderna, tem como característica principal a luta contra o patronato e contra a Federação Sindical Chinesa que ou não organiza os trabalhadores ou, quando organiza, é para travar e controlá-los. Os trabalhadores, inexperientes, têm de se organizar de forma independente para poder desenvolver as suas lutas. Para isso, têm lançado mão do famoso boca-a-boca, mas utilizando recursos mais modernos como os telemóveis e a internet.
A situação actual, onde explodem greves por todos os lados, demonstra que isso ocorre pelo facto de os trabalhadores chineses, reprimidos pela burocracia do Partido Comunista, não possuírem uma central sindical combativa para organizar a sua luta a nível nacional. A actual situação de desigualdade salarial afecta a maioria dos trabalhadores no país e em qualquer outro local estaria a ser cogitada um greve geral, para unir todos os trabalhadores, já que sofrem o mesmo problema e estão obrigados a lutar de forma isolada, enfraquecendo a sua negociação.
Outras negociações
Na sexta-feira, será concluída a negociação na Honda Lock, em Guangdong, cuja maior parte dos trabalhadores aceitou voltar ao trabalho enquanto se define a percentagem do aumento que a Honda será obrigada a conceder. Mas, com os trabalhadores decididos a retornarem à greve caso não seja obtido um acordo aceitável.
Na terça-feira foi realizado, também, um acordo colectivo com a KFC (Kentucky Fried Chiken), cadeia de fast food americana. Com esse acordo, os trabalhadores obtiveram aumentos de 200 yuan.