Na sexta-feira, uma nova greve noutra unidade da Toyoda Gosei, subsidiária da fábrica de automóveis em Tianjin, forçou a paralisação da principal fábrica da Toyota na China. Desta vez foram os trabalhadores da unidade que produz peças plásticas para os carros que cruzaram os braços.
Na greve anterior, na mesma cidade, os trabalhadores paralisaram a unidade que fabrica cintos. Após arrancar outra vitória, os grevistas, que se organizaram independentemente da burocracia da Federação Sindical Chinesa, atrelada ao Partido Comunista, voltaram ao trabalho no final de semana.
Também neste final de semana, os trabalhadores da Honda Lock, em Guangdong, finalizaram o acordo com a empresa, conquistando pelo menos 20% de aumento, após terem realizado uma greve dias atrás e voltado ao trabalho enquanto continuavam a negociar o aumento.
Em Longquan, na província de Zhejiang, centenas de trabalhadores da cervejaria dinamarquesa Carlsberg, após outra breve paralisação, conquistaram 30% de aumento. Zhejiang é uma província vizinha a Xangai, o que demonstra que a poderosa onda de greves se espalha pelos principais centros económicos da China, já que as greves chegaram também às portas de Pequim.
As informações sobre a onda de greves na China são bastante precárias, pelo facto de a imprensa chinesa ser censurada pela burocracia do Partido Comunista, e apenas as greves que envolvem empresas grandes, como a Honda e a Toyota, conseguem furar o bloqueio da censura, mas é de se imaginar que inúmeras outras greves estejam a ocorrer na China durante os últimos dias.
Valorização do yuan
O governo chinês, sob pressão internacional, fez a maior valorização do yuan nos últimos anos, aparentemente cedendo à gritaria mundial e, principalmente, do governo americano. Isso tende a acarretar uma tendência desfavorável ao superávit da balança comercial chinesa, coibindo as exportações, já que diversos países acusam o governo chinês de manipular a moeda para baixo, aumentado a competitividade dos produtos chineses no mercado mundial.
Mas o real impacto dessas medidas não pode ser claramente medido já que, no momento seguinte, os bancos chineses passaram a comprar massivamente os dólares americanos, para, provavelmente, forçar uma subida da moeda americana. Os chineses parecem ter aceitado dançar a valsa colocada pelos países desenvolvidos. Por outro lado, como cortesia, comprando massivamente os dólares, parecem ter colocado uma salsa, para que os americanos dancem. O que deixa evidente que, já há algum tempo, os chineses não têm de aceitar todas as condições impostas pelos países imperialistas.