A PSP deteve na quinta-feira dois agentes, de 25 e 26 anos, por suspeitas que incluem o crime de tortura, após denúncia de “cerca de uma dezena de ilícitos”. A denunciante foi a própria PSP, com o Correio da Manhã a avançar que os superiores hierárquicos dos agentes receberam um vídeo filmado no interior da esquadra do Rato, no centro de Lisboa, em que aparecem os dois agentes a agredir violentamente um cidadão detido. Ofensas à integridade física qualificadas, peculato e falsificação serão outros crimes por que deverão responder na sequência das buscas efetuadas aos seus cacifos na esquadra e às suas residências.
Encostados à parede
Provedoria de Justiça aponta “falhas graves” da PSP na Rua do Benformoso
Segundo o Diário de Notícias, as vítimas dos dois agentes agora detidos eram toxicodependentes suspeitos de furtos e posteriormente espancados na prisão. O Correio da Manhã acrescenta que estão a ser investigadas denúncias de sevícias sexuais com recurso ao bastão policial.
O Diário de Notícias dá também conta esta sexta-feira que entre 2013 e 2024 a PSP e a GNR instauraram 188 processos disciplinares a polícias e militares suspeitos de crimes graves, com moldura penal superior a três anos, tendo expulsado 64 elementos (35 na PSP e 29 na GNR) e mantido 122 ao serviço.
Entre os atuais agentes da PSP condenados por crimes graves estão três dos oito condenados por torturas jovens da Cova da Moura no interior da esquadra de Alfragide em 2015. Na altura da condenação as vítimas recorreram à Provedora de Justiça para impedir que polícias torturadores permanecessem em funções. Dois anos depois, a Provedoria respondeu que tanto a IGAI como a PSP cumpriu o seu dever. A então Provedora de Justiça era Maria Lúcia Amaral, atual ministra da Administração Interna com a tutela das forças de segurança.