Tempos de espera no SNS: Governo quer "fazer de conta que está a fazer alguma coisa”

14 de dezembro 2022 - 14:39

Em declarações ao Fórum TSF sobre a situação do Serviço Nacional de Saúde, o dirigente bloquista Moisés Ferreira referiu que negar a realidade, como tem feito o Ministro da Saúde, não resolve o problema do SNS.

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Hospital de Santa Maria em Lisboa. Fotografia: HSM

“Estão a agravar-se os sinais de alerta no SNS” foi o tema que deu mote ao Fórum TSF de hoje, 14 de dezembro, moderado por Manuel Acácio e que contou com a participação de diversos dirigentes políticos bem como com o Ministro da Saúde, Manuel Pizarro. 

Moisés Ferreira interveio pelo Bloco de Esquerda e começou por referir que os longos tempos de espera e a falta de médicos de família já não são apenas sinais de preocupação mas sim “problemas graves” para os quais contribui o estado de negação do ministro da Saúde. 

“Vemos esperas de dez horas, quinze horas para uma urgência, vemos doentes urgentes a serem atendidos em cinco ou seis horas quando deviam ser atendidos numa hora e vemos o ministro a dizer que são problemas pontuais” referiu o dirigente bloquista.  

As medidas apresentadas pelo Governo merecem também a crítica do Bloco, uma vez que se tratam de propostas “para fazer de conta que está a fazer alguma coisa”. Como exemplo, Moisés Ferreira referiu o encaminhamento de utentes das urgências hospitalares para os cuidados de saúde primários que “não resolve o problema porque estes estão já muito sobrecarregados”. Mencionou também o encerramento de urgências de obstetrícia ou a proposta de as grávidas pagarem taxas moderadoras quando procuram a urgência hospitalar como medidas que “só vão piorar o acesso” a cuidados de saúde de que as pessoas necessitam. Por tudo isto Moisés Ferreira considera que “negar a realidade de problemas graves não os resolve”. 

O bloquista afirmou também que “não é olhando para o setor privado e para o setor social” que se encontram respostas, até porque “nunca se gastou tanto como hoje em contratualização com privados” e isso não só não está a resolver as dificuldades do SNS como vem até adensá-las.

"É preciso investir nos profissionais do SNS e não pôr esse dinheiro fora, no setor privado e social”

Para mudar a situação do SNS, Moisés Ferreira considera que “é urgente criar condições para que os profissionais fiquem no SNS” lembrando que “temos 1,4 milhões de utentes sem médico de família. Se se tivesse conseguido reter os profissionais que foram formados no SNS hoje quase não teríamos utentes sem médico de família” Para tal, é necessário melhorar as carreiras, criar condições de trabalho, não só para os médicos mas para todos os profissionais. 

“Nestas matérias o Governo não está a mexer, está a contratar serviços fora, quando devia estar a valorizar os seus próprios profissionais. Quando falamos de listas de espera estamos a falar de falta de profissionais no SNS, porque não há profissionais para dar essa resposta no SNS. É preciso investir nos profissionais do SNS e não pôr esse dinheiro fora, no setor privado e social” concluiu Moisés Ferreira.