Foi esta sexta-feira apresentado no Porto o Livro Branco que resultou de um estudo do Projeto HomeWork: des/igualdades de género na conciliação de teletrabalho e coabitação. Este trabalho de investigação foi promovido pela Faculdade de Psicologia e de Ciências de Educação da Universidade do Porto, desenvolvido em colaboração com a Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género, e concluiu que homens e mulheres estão um número semelhante de horas em teletrabalho mas que estas gastam mais tempo em atividades domésticas e de cuidado.
Uma das autoras do projeto, Rita Grave, explicou à Lusa que “as pessoas estão muito satisfeitas com o teletrabalho e querem manter este modelo”. Só que “as mulheres passam o mesmo número de horas que os homens em trabalho remunerado, mas dedicam mais tempo a atividades domésticas e de cuidado”. Por isso, “para as mulheres, os benefícios do teletrabalho parecem estar nos ganhos para a conciliação entre trabalho e a família, enquanto os homens parecem retirar benefícios individuais (com contributos mais pessoais, lazer e ginásio, por exemplo), o que se traduz num reforço de papéis tradicionais de género, com prejuízos para o bem-estar das mulheres”.
A sua colega Liliana Rodrigues acrescentou que a ideia era elaborar um documento “para ser devolvido ao Estado com recomendações ao nível das políticas públicas do nosso país” sobre a questão da igualdade de género.
Sobre o teletrabalho, recomenda-se a utilização de sistemas de lembretes para a realização de pausas e que avisem quando for ultrapassado o número de horas de trabalho previstas, a elaboração de um código de conduta em teletrabalho que seja integrado em regulamento interno e que neste seja identificado explicitamente canais e regras de comunicação a usar, limites de interações e mecanismos de reporte em caso de incumprimento.
Outro tema abordado é o risco de agravamento de situações de violência doméstica. A este nível recomenda-se que “a temática do teletrabalho seja integrada em materiais e programas de promoção da igualdade de género e prevenção da violência contra as mulheres, abordando os riscos e benefícios desta modalidade de teletrabalho”.