TAP: "o país não pode viver mais sem saber se foram ocultados documentos

29 de abril 2023 - 18:27

Catarina Martins anunciou este sábado que o Bloco enviou um requerimento para que sejam solicitados os documentos que estariam no computador de serviço do ex-adjunto do ministro da Infraestruturas. Considerou também “absolutamente urgente” que o primeiro-ministro fale ao país e disse que "fragilização do governo é óbvia".

PARTILHAR
A presidente executiva da TAP, Christine Ourmières-Widener, durante a sua audição perante a Comissão Parlamentar de Inquérito. 04 de abril de 2023. Foto de ANTÓNIO COTRIM/LUSA.
A presidente executiva da TAP, Christine Ourmières-Widener, durante a sua audição perante a Comissão Parlamentar de Inquérito. 04 de abril de 2023. Foto de ANTÓNIO COTRIM/LUSA.

Em conferência de imprensa este sábado, Catarina Martins anunciou que o Bloco de Esquerda enviou um requerimento à Comissão Parlamentar de Inquérito à TAP para que sejam solicitados os documentos e ficheiros que estariam no computador de serviço do ex-adjunto do ministro da Infraestruturas.

A coordenadora bloquista explica que neste caso “uma parte dos acontecimentos” são “casos de polícia” mas “há uma outra parte que tem a ver com esclarecimentos que têm de ser prestados no âmbito da Comissão Parlamentar de Inquérito à TAP”. Entre eles estão o facto do ministro das Finanças e do ministro das Infraestruturas terem primeiro anunciado o despedimento com justa causa da CEO da TAP “e só depois foram pedir a fundamentação jurídica para o que tinham acabado de anunciar”. Para além disso, “ficámos agora a saber que o ministro João Galamba omitiu a reunião que teve com a CEO da TAP, mentiu sobre o convite que lhe fez para reunir com o Grupo Parlamentar do Partido Socialista e organizou diretamente essas reuniões”. O partido pretende que se esclareça se o ministro das Infraestruturas “tentou ou não omitir documentos e informações à Comissão Parlamentar de Inquérito à TAP”.

Isto porque a CPI “tem de saber exatamente do que se trata toda esta confusão naquilo que é fundamental: que documentos existem e se eles foram ou não ocultados”, sendo esta “uma urgência porque julgo que o país não pode viver mais sem o saber”.

É absolutamente urgente que o primeiro-ministro fale sobre este caso ao país

Catarina Martins reitera também a posição já expressa pelo Bloco de Esquerda ontem: “é absolutamente urgente que o primeiro-ministro fale sobre este caso ao país”.

António Costa disse que “esperaria pelas conclusões” da CPI mas, acredita a dirigente bloquista, “essas afirmações são insustentáveis. Até porque “é o próprio ministro João Galamba” que “disse que comunicou com vários secretários de Estado, comunicou ainda que indiretamente com o primeiro-ministro, ou seja temos todo o governo envolvido neste caso”. O primeiro-ministro tem ainda “desde o primeiro momento acompanhado o dossier da TAP pessoalmente” e “é muito estranho que agora não tenha nada a dizer ao país”.

Galamba "tem muito poucas condições para continuar" e "todo o governo está fragilizado"

Questionada sobre o futuro imediato do ministro das Infraestruturas, Catarina Martins respondeu nesta conferência de imprensa que “parece-me claro que o ministro João Galamba tem muito poucas condições para continuar no governo”.

Isto dado que “ficámos a saber que mentiu porque foi ele que convidou a CEO da TAP para uma reunião do Grupo Parlamentar do Partido Socialista e ficámos a saber só agora”, enquanto que “tinha sido negado esse convite até há bem pouco tempo”. Este governante também “omitiu que antes disso ele próprio tinha reunido com a CEO da TAP” e “na verdade também escondeu sempre que tinha sido ele a organizar as reuniões”. Isto para além de outra razão que já tinha antes apresentado: a conferência em que João Galamba e Fernando Medina anunciaram o despedimento com justa da CEO da TAP “cuja fundamentação jurídica só foram pedir depois”, um “tema muito sensível para o Estado porque é a credibilidade do Estado, para lá do dinheiro dos contribuintes, que está em causa em todo este processo”.

Catarina Martins concluiu por tudo isto que “a fragilização do governo é óbvia” e que “o primeiro-ministro tem de falar e agir rapidamente”.

File attachments