Demissão no Ministério das Infraestruturas: governo não pode fugir às responsabilidades

28 de abril 2023 - 19:40

Pedro Filipe Soares defendeu que “o governo tem de perceber que esta ideia que pode gerir casos tão graves como este na expetativa que o tempo já passando e que as pessoas se vão esquecendo degrada a democracia, torna tudo num pântano e desqualifica os órgãos de soberania, incluindo a Assembleia da República”.

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Pedro Filipe Soares. Foto de ANTÓNIO COTRIM/LUSA.
Pedro Filipe Soares. Foto de ANTÓNIO COTRIM/LUSA.

Na sequência da notícia da demissão do adjunto do Ministro das Infraestruturas, João Galamba, Pedro Filipe Soares veio dizer que o governo deve explicações ao país sobre o caso e que estas devem vir do próprio primeiro-ministro.

Para o líder parlamentar bloquista, é “urgente” todas as respostas sobre o caso sejam dadas, até porque estão em causa, “acusações dentro de um ministério sobre um ministro poder estar a faltar à verdade à Comissão Parlamentar de Inquérito”. Assim, “se há um ministro que deliberadamente tentou mentir a uma comissão de inquérito não pode continuar como ministro”. E “se há acusações que um ministro quis faltar à verdade a uma comissão de inquérito, essas acusações têm de ter uma resposta clara, inequívoca por parte do governo.”

O partido já pensava que João Galamba “devia dar explicações sobre o estado atual da TAP” mas agora “deve não só isso mas também dar explicações sobre o estado atual do ministério das Infraestruturas que lidera”. Isto porque “o caso é demasiado grave para se deixar que passe com a espuma dos dias” e porque “o governo não pode fugir às suas responsabilidades”, “em nome da democracia, em nome da verdade”.

Com os jornalistas a perguntarem sobre se as explicações deviam vir do responsável máximo do governo, Pedro Filipe Soares reiterou que a situação o “exige claramente”, reforçando ainda que a “acusação de que um ministro estava a tentar mentir a uma Comissão Parlamentar de Inquérito é forte, não deve acontecer e é responsabilidade do primeiro-ministro garantir o respeito pelos órgãos de soberania” e o respeito pelo poder da própria CPI. E “se a acusação que é feita é verdade, e ela nasce do seio do próprio Ministério das Infraestruturas, ela é gravíssima e o senhor primeiro-ministro tem de avaliar se ela é ou não verdadeira. A ser verdadeira retira condições à permanência do ministro no governo”, insistiu.

Para rematar, o dirigente bloquista defendeu que “o governo tem de perceber que esta ideia que pode gerir casos tão graves como este na expetativa que o tempo já passando e que as pessoas se vão esquecendo é uma forma de gerir a coisa pública que degrada a democracia, que torna tudo num pântano e desqualifica os órgãos de soberania, incluindo a Assembleia da República”.