TAP avança para despedimento coletivo

08 de julho 2021 - 12:53

A companhia aérea informou que vai despedir 124 trabalhadores até ao último trimestre do ano. SITAVA diz que já saíram mais de 2.000. Para a deputada bloquista Isabel Pires, este despedimento "não tem justificação”.

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Avião da TAP
Foto de Alan Wilson/Flickr

Em comunicado enviado à CMVM, a TAP informa que decidiu avançar com um despedimento coletivo de 124 trabalhadores da empresa. Entre eles estão 35 pilotos, 28 tripulantes de cabine, 38 da área de manutenção e engenharia e 23 administrativos da sede da companhia aérea.

Noutro comunicado enviado às redações e citado pelo Público, a TAP destaca que o número de trabalhadores abragidos pelo despedimento coletivo são uma pequena parte do objetivo inicial de cerca de 2.000 trabalhadores que a empresa previa dispensar em fevereiro e que isso “é o resultado de um esforço extraordinário que incluiu a celebração de Acordos Temporários de Emergência com todos os Sindicatos, rescisões por mútuo acordo com compensações financeiras acima do legalmente exigido, bem como candidaturas a vagas disponíveis na Portugália, entre outras medidas”.

A estes 124 trabalhadores que não aceitaram as propostas da empresa para saírem da TAP, a empresa vai agora propor “condições similares” às que propôs aos trabalhadores que, na fase de adesão voluntária, não aceitaram a saída, “mantendo também a possibilidade de estes trabalhadores se candidatarem às vagas que ainda falta preencher na Portugália”.

“Lamentamos todos os cortes de postos de trabalho causados pela pandemia, na indústria aérea e noutros sectores, contudo temos de assumir um compromisso firme com o plano de reestruturação. A sobrevivência e recuperação sustentável da TAP depende da implementação efetiva do plano”, diz a nova presidente executiva da TAP, Christine Ourmières-Widener.

SITAVA: Saída de mais de 2.000 trabalhadores “já está a dificultar a retoma”

Para o Sindicato dos Trabalhadores da Aviação e Aeroportos (SITAVA), é necessário olhar para o número de trabalhadores no final de 2019 e compará-lo com o atual para se perceber a dimensão da sangria de recursos humanos na empresa. “Já saíram mais de 2.000 trabalhadores da TAP neste momento e a TAP agora prepara-se para despedir mais 124”, afirmou José Sousa à Rádio Observador.

“Peçam à TAP os valores atuais de trabalhadores e ficam com uma luz perfeita sobre a realidade do que foi a diminuição de trabalhadores da empresa que hoje já está a dificultar a reforma”, acrescentou o sindicalista. Para José Sousa, a empresa “está propositadamente a ceder quota de mercado no Aeroporto Humberto Delgado porque a isso está a ser obrigada pela Comissão Europeia com a conivência do Governo”. E promete que “contra isto cá estará o SITAVA em defesa dos trabalhadores”, com recurso a todas as formas de luta.

“Continuaremos a questionar o governo sobre esta situação”, diz Isabel Pires

Em reação ao anúncio do despedimento coletivo na TAP, a deputada bloquista Isabel Pires disse ao Esquerda.net que apesar do número de trabalhadores afetados estar aquém do inicialmente previsto pela empresa, o partido considera que a considerar que “a situação não tem justificação”.

“É preciso recordar que antes do anunciado plano de reestruturação já tinham sido mandadas embora largas centenas de trabalhadores, que o dito plano continua sem resposta de Bruxelas, e que prevê uma diminuição do número de trabalhadores demasiado alto”, afirma Isabel Pires, temendo a possibilidade de “a empresa acabar com uma estrutura demasiado pequena para fazer face à retoma prevista de 2024/25”.

“Continuaremos a questionar o governo sobre esta situação e a pugnar por uma TAP forte, que cumpre o seu papel de serviço público e que respeita quem trabalha”, garantiu a deputada do Bloco.