A notícia desta terça-feira no jornal i indica que os valores pagos pela Carris entre 2006 e 2012 ao BES Investimento e ao BPN somam 43,1 milhões de euros, enquanto que os swaps do Santander custaram à empresa de transportes públicos cerca de 9 milhões. Estes valores representam a diferença entre o que a empresa pagou e recebeu pelo cumprimento destes contratos de proteção de crédito.
Mas a empresa que avaliou o conjunto dos contratos swaps do Estado português - a Storm Harbor, liderada pelo homem que acompanhou Pais Jorge, o secretário de Estado recém-demitido, na proposta de ocultar o défice em 2005, através de swaps especulativos do Citigroup - não viu razões para incluir os swaps do BES Investimento e do BPN no lote de contratos tóxicos.
Apesar disso, o presidente da Carris acabou demitido e acaba de integrar a administração da Barraqueiro, o grupo privado de transportes que irá concorrer à concessão dos transportes públicos, incluindo a rede que hoje pertence à Carris, na sequência do acordo entre o governo e a troika. Silva Rodrigues estará esta quarta-feira no Parlamento para explicar aos deputados a sua intervenção e responsabilidade no dossier dos swaps. E certamente irá responder sobre o volume de perdas acumuladas nos contratos com o BES Investimento e o BPN.
No caso do banco liderado por José Maria Ricciardi, o contrato acabou por ser renegociado em 2009. Segundo o jornal i, a empresa aceitou receber pagamentos à taxa Euribor a três meses, em troca de realizar pagamentos à mesma taxa acrescida de um spread de 5,95% nos dez anos seguintes. O buraco criado nas contas da Carris com a totalidade dos swaps equivale a cerca de um ano e meio de receitas de bilhetes e passes, incluindo o subsídio público para as bonificações das tarifas de crianças e idosos.