Sobrinha-neta de Pinochet nomeada ministra dos direitos das mulheres

09 de maio 2020 - 22:51

A decisão do presidente Piñera causou polémica no Chile. Não pela filiação de Macarena Santelices mas pelas posições assumidas anteriormente pela jornalista defendendo a ditadura.

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“Não temos ministra!” A hashtag dos movimentos feministas chilenos tornou-se viral desde a passada quarta-feira. Protestavam assim contra a nomeação, pelo presidente Sebastian Piñera, de Macarena Santelices como Ministra dos Direitos das Mulheres e da Igualdade de Género.

Santelices é jornalista de profissão. Em 2012 foi eleita presidente de Câmara de Olmué e em outubro do ano passado passou a dirigir a região de Valparaíso. Mas é conhecida nacionalmente por ser sobrinha-neta do antigo ditador do país, Augusto Pinochet. Aliás, foi eleita pela UDI, um partido ultra-conservador e saudosista da ditadura.

Em 2016, numa entrevista tratou de sublinhar os “bons lados” da ditadura. Ao lado dessas declarações, lembram-lhe os críticos do regime, passaram os mais de três mil assassinados ou “desaparecidos”, os mais de 30 mil presos políticos e torturados. Entre os torturados, segundo a Comissão Nacional sobre os Prisioneiros Políticos e a Tortura, estão confirmados 316 mulheres, 11 das quais grávidas.

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O Coletivo de Advogadas Feministas do país foi um dos vários coletivos que expressou “desacordo absoluto face à nomeação”, considerando que “quem faz a apologia da ditadura dificilmente será idónea na hora de defender as mulheres que historicamente sofreram violência especial do Estado apenas por serem mulheres.”

A Rede Chilena contra as Violências para com as Mulheres vai mais longe considerando que “o sinal” que Piñera envia com a nomeação de “uma defensora da ditadura” que “não tem experiência nenhuma” para desempenhar o cargo para o qual foi empossada, é clara: a vida das mulheres não é uma prioridade e os direitos humanos também não”.

Javiera Manzi, da Coordenadora Feminista 8M, junta outra acha à fogueira: a sua “xenofobia”, devido a declarações contra a imigração. Esta dirigente feminista apela à sua “demissão imediata”.

O Coletivo Las Tesis, que se tornou famoso depois de uma coreografia sua contra a violação se ter tornado viral, tomou posição no mesmo sentido: “não é possível que num ministério que supostamente vela pela equidade de género, a representante seja uma mulher que é de extrema-direita, altamente conservadora e que já demonstrou publicamente o seu apoio à ditadura.”