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Situação caótica na Tunísia

Continua a haver "caos" e "violência" em Kasserine, capital do centro-oeste da Tunísia, região onde motins causaram mais de 50 mortos nos últimos três dias, indicou esta terça-feira um responsável sindical à agência noticiosa francesa AFP.
Foi a 17 de Dezembro que um jovem de 26 anos se imolou em protesto por ter sido proibido de levar a cabo a sua actividade comercial na rua e ter perdido o seu sustento. A partir daí, as manifestações têm-se multiplicado. Foto EPA/LUSA.

"É o caos em Kasserine após uma noite de violência, tiros de atiradores emboscados, saques e roubos de lojas e casas por agentes da polícia à civil que depois se retiraram", indicou Sadok Mahmoudi, membro da união regional da União Geral dos Trabalhadores Tunisinos (UGTT, central sindical), cita o Diário de Notícias.

"Foi organizada na noite passada uma operação de comandos para pilhar e dar crédito à tese de conspiração avançada pelo regime", declarou à AFP o presidente da Liga dos Direitos Humanos tunisina, Mokhter Trifi.

Um funcionário local, que não quis ser identificado, descreveu também "uma situação de caos" naquela cidade a 290 quilómetros a sul de Tunes, confirmando tiros de atiradores emboscados nos telhados e disparos da polícia sobre cortejos fúnebres.

A equipa médica do hospital de Kasserine parou durante uma hora para protestar contra o elevado número de vítimas e a gravidade dos ferimentos, adiantou o mesmo funcionário, descrevendo "cadáveres esventrados e com o cérebro exposto".

Entretanto foram fechadas escolas e universidades. "Na sequência dos distúrbios ocorridos em alguns estabelecimentos de ensino, foi decidido suspender as aulas até nova ordem e a partir de terça-feira." Foi assim que os ministérios da Educação e do Ensino Superior tunisinos anunciaram, esta segunda-feira, o encerramento de escolas e universidades no país. Segundo os ministérios em causa, a situação irá manter-se até que esteja terminada a investigação sobre os actos de vandalismo ocorridos em vários estabelecimentos de ensino.

Foi a 17 de Dezembro que um jovem de 26 anos se imolou em protesto por ter sido proibido de levar a cabo a sua actividade comercial na rua e ter perdido o seu sustento. A partir daí, as manifestações têm-se multiplicado.

Neste fim-de-semana, houve protestos em Regueb, Thala e Kasserine. A quantidade de vítimas mortais tem vindo a aumentar desde Dezembro. "O número de mortos apoia-se numa lista nominativa. Mas o número total de vítimas é mais elevada. Está à volta de 50, mas este valor é apenas uma estimativa", afirmou a presidente da Federação Internacional das Ligas dos Direitos Humanos, Souhayr Belhassen, cujas declarações estão em destaque no Libération.

Segundo Souhayr Belhassen, a agitação está a passar do interior do país para localidades costeiras, no centro da Tunísia turística, por exemplo em Bizerte, no Norte, e Sousse (Centro-Leste).

Na origem destes protestos continua a estar o desemprego que enferma a sociedade tunisina.

Esta segunda-feira, o Presidente Ben Ali, que tinha sido instado a tomar medidas para pacificar o país, foi à televisão anunciar que irá criar 300 mil empregos até 2012, além dos 50 mil prometidos recentemente pelo patronato para as regiões. O chefe do Estado avançou ainda ter convocado "uma conferência nacional" sobre o emprego para Fevereiro. 

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