Sindicato quer redistribuir ganhos de produtividade por todos os ferroviários

12 de maio 2023 - 11:11

Após reunir com a administração da CP, o SNTSF diz que o acordo com os maquinistas resulta de "soluções parciais que acentuam desigualdades entre trabalhadores e que abrem a porta ao descontentamento e a novos conflitos".

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Coimboios na estação
Foto de Paulete Matos.

Na semana passada foi anunciado que a administração da CP e o sindicato dos maquinistas (SMAQ) chegaram a um acordo para pôr fim às greves dos últimos meses, embora os pormenores desse acordo não tenham sido divulgados. Esta quarta-feira, o Sindicato Nacional dos Trabalhadores do Setor Ferroviário (SNTSF), afeto à FECTRANS (Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações), reuniu com a administração da empresa e ficou a conhecer alguns desses pormenores.

"Foi-nos dito que o acordo publicitado com uma outra organização, resume-se à distribuição de ganhos de produtividade, pela operação em agente único nas marchas em vazia ao nível nacional", refere o SNTSF em comunicado onde descreve as alterações de valores dos prémios de condução, revisão, abonos de itinerãncia e ajudas de custo.

Para este sindicato, além de se tratar de "uma alteração unilateral por parte da administração/governo, de cláusulas do AE Geral sem qualquer negociação com os subscritores do mesmo", esta solução anunciada como redistribuição de ganhos de produtividade "é o retomar de um projeto antigo da operação em agente único, que tem como resultado a redução de postos de trabalho no âmbito dos ORVs [Operadores de Revisão e Venda], assim como põe em causa a segurança na circulação".

Em causa estão as operações dos comboios que circulam vazios, apenas com o maquinista e sem o revisor, que o sindicato contesta por razões de segurança em caso de incidente na linha em que seja necessário prestar socorro. O acordo entre CP e maquinistas prevê o aumento do prémio de condução para os maquinistas e inspetores de tração nestas viagens. Uma situação que "põe em causa o acordo firmado em 2018 sobre as questões do agente único, na sequência de um conjunto de lutas e greves na empresa contra a redução de postos de trabalho", recorda o SNTSF.

Por outro lado, o acordo alcançado com os maquinistas "deixa de fora uma parte significativa dos trabalhadores, como se estes não contribuíssem para os ganhos de produtividade", critica o sindicato, defendendo que "as soluções têm de ser gerais, sem prejuízo de soluções específicas de cada uma das categorias, mas nunca dando a ideia de ganhos de uns à custa da estagnação de outros".

Para evitar o "descontentamento generalizado", o SNTSF desafia agora a administração da CP a discutir a redistribuição dos ganhos de produtividade por todos os trabalhadores, "sem ser à custa da criação de condições de redução de efetivos, porque o que a CP precisa é de mais ferroviários".

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