Sindicato denuncia “situações dramáticas” de trabalhadores da EasyJet em Faro

04 de maio 2023 - 18:31

A empresa corrigiu a expetativa de lucros em alta e paga mais na média europeia do que em Portugal. No nosso país, diz o SNPVAC, os trabalhadores têm de ter “um segundo ou terceiro emprego” para sobreviver, o que pode “comprometer” a segurança.

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Easyjet. Foto de Franklin Heijnen/Flickr.
Easyjet. Foto de Franklin Heijnen/Flickr.

A dirigente sindical Ana Dias, do Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC), denunciou na Comissão Parlamentar de Trabalho, Segurança Social e Inclusão as condições de trabalho dos trabalhadores da EasyJet em Faro, indicando a existência de “situações muito dramáticas”.

A sindicalista detalhou algumas das “grandes dificuldades” que estes trabalhadores atravessam: “nós temos trabalhadores que tiveram que viver dentro de carros durante alguns meses, auferiam à volta de 350, 400, 500 euros a operarem durante um mês”.

Assim, “quase todos os nossos trabalhadores de Faro têm que ter um segundo ou um terceiro trabalho”. Muitos deles trabalham durante a noite como condutores de TVDE e de dia, já “cansados”, trabalham para a companhia aérea low-cost, o que pode “comprometer, também, a segurança do voo, como é lógico”.

O SNPVAC quer “eliminar por completo esse tipo de contratos” e exige aumentos salariais porque “os nossos salários não estão ajustados nem ao custo de vida em Portugal, nem àquilo que se pratica no mercado da aviação aqui em Portugal e muito menos quando comparados com os nossos colegas lá fora”. A sindicalista esclarece que, em comparação, um trabalhador francês ou alemão “aufere mais 90%” do que um português. E, em média, os trabalhadores da EasyJet em Portugal recebem menos 60% do que os seus colegas no resto da Europa. A proposta do sindicato nem sequer é igualar para já estes valores mas “um aumento que, pelo menos, acompanhe o crescimento da easyJet aqui em Portugal”.

O presidente deste sindicato, Ricardo Penarroias, acrescenta que existe “um grau de insatisfação tão grande que, neste momento, os tripulantes de cabine não pretendem mais conversações, querem ações”.

Em meados do mês passado, a EasyJet corrigiu as suas expetativas de lucros, prevendo chegar aos 294 milhões de euros brutos por ano até ao final de setembro, altura da publicação dos resultados anuais.

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